PF bloqueia R$ 670 milhões em operação que envolve nome de Edir Macedo
Polícia Federal investiga o banco ligado a Edir Macedo, por suspeitas de crimes financeiros e bloqueia até R$ 670 milhões

O Banco Digimais, instituição financeira controlada pelo empresário Edir Macedo, foi alvo da Operação Miragem, deflagrada pela Polícia Federal para investigar suspeitas de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. A ação resultou em medidas judiciais que incluem o bloqueio de bens e valores de até R$ 670 milhões.
Mais de 50 agentes federais participaram da operação, que cumpriu nove mandados de busca e apreensão em São Paulo. A Justiça Federal também autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados e o sequestro de patrimônios relacionados ao caso.
Operação da PF
Segundo a PF, a investigação foi baseada em relatórios do Banco Central que apontaram suspeitas de uso de mecanismos contábeis e regulatórios para distorcer a situação financeira da instituição e manter uma aparência de solvência perante os órgãos fiscalizadores.
Entre as condutas apuradas estão possíveis:
- manipulação de demonstrativos contábeis;
- inserção de informações falsas em documentos financeiros;
- alterações em registros regulatórios;
- ocultação da real situação econômico-financeira do banco;
- realização de operações de crédito consideradas irregulares.
Segundo a PF, as suspeitas podem se enquadrar na Lei nº 7.492/1986, que prevê crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, como gestão fraudulenta, falsificação de dados contábeis e operações de crédito vedadas.
Ligação com Edir Macedo
Linha do tempo da relação de Edir Macedo com o banco:
- 1981: Criação do Banco Renner pela família Renner, com atuação voltada principalmente para crédito consignado e financiamento de veículos.
- 2009: O Grupo Record adquire participação na instituição, marcando a aproximação de Edir Macedo com o banco.
- 2013: Após autorização do Banco Central, Edir Macedo e sua esposa, Ester Bezerra, passam a deter participação relevante na instituição.
- 2020: Com aval do órgão regulador, Macedo consolida o controle do banco, que passa a operar sob a marca Banco Digimais.
Apesar da associação pública da instituição ao nome de Macedo, a investigação da Polícia Federal tem como foco a administração financeira do banco e não aponta, até o momento, relação entre as suspeitas investigadas e atividades da Igreja Universal do Reino de Deus.









