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Pesquisadores acompanharam 204 casais por três meses e descobriram que dormir mal pode alterar não apenas a alimentação de quem perdeu o sono, mas também os hábitos alimentares de quem dorme ao lado

Um estudo liderado pela Universidade Concordia investigou como o sono de uma pessoa pode influenciar a alimentação do parceiro.


Por Clyverton Silva

24/09/2026 às 06h12

Pesquisadores acompanharam 204 casais por três meses e descobriram que dormir mal pode alterar não apenas a alimentação de quem perdeu o sono, mas também os hábitos alimentares de quem dorme ao lado
Foto ilustrativa: Polina/Pexels

Um estudo liderado pela Universidade Concordia, no Canadá, investigou como o sono de uma pessoa pode influenciar a alimentação do parceiro com quem ela vive. A pesquisa acompanhou 204 casais ao longo de três meses e concluiu que dormir mal não afeta apenas as escolhas alimentares de quem tem o problema, mas também as do companheiro. Como casais que dormem juntos costumam comer juntos, hábitos pouco saudáveis de um lado podem se espalhar para o outro.

Os resultados foram publicados na revista Annals of Behavioural Medicine. Segundo os pesquisadores, quem dorme mal relata menos esforço para comer bem e menos confiança na própria capacidade de manter uma dieta saudável.

O efeito se repete nos parceiros que dormem bem, mas convivem com alguém privado de sono. A explicação provável é que a pessoa com sono ruim tende a levar para casa alimentos muito palatáveis e calóricos, como bolachas, batatas fritas, chocolate e doces.

Questão individual de saúde

O autor correspondente, Jean-Philippe Gouin, professor do Departamento de Psicologia, afirma que o sono não deve ser tratado apenas como uma questão individual de saúde. Para ele, é preciso olhar para o contexto social em que os maus hábitos alimentares acontecem e entender como um parceiro influencia o comportamento do outro, de forma intencional ou não.

Os participantes tinham em média 42 anos. Em cada casal, pelo menos uma pessoa estava com sobrepeso ou obesidade e tentava melhorar a alimentação ou a atividade física. Quase 96% diziam estar tentando mudar a dieta. Ao longo do estudo, a qualidade da alimentação melhorou de forma modesta, enquanto a do sono não teve mudança significativa.