Pesquisa comprova que herança financeira e cultural da família pesa mais do que esforço individual na trajetória
Estudo indica que herança e patrimônio familiar pesam mais que salário na construção de riqueza e no acesso à casa própria

Segundo um estudo do National Bureau of Economic Research (NBER), a origem familiar tem exercido influência crescente na construção de patrimônio nos Estados Unidos. Os pesquisadores identificaram que a riqueza acumulada pelos pais, especialmente na forma de imóveis, passou a ter peso maior na formação do patrimônio dos filhos do que a própria renda obtida ao longo da vida profissional.
A pesquisa aponta ainda uma crescente separação entre salário e riqueza. Embora a mobilidade de renda continue existindo, a posse de ativos familiares tem se mostrado cada vez mais determinante para a aquisição de patrimônio, especialmente no mercado imobiliário.
Herança vs esforço
Metodologia
- Analisou mais de 3,4 milhões de famílias americanas ao longo de várias gerações.
- Concluiu que o patrimônio imobiliário é transmitido entre gerações com mais força do que a renda.
Principais resultados
- Menos da metade da riqueza herdada pode ser explicada pelo salário dos filhos.
- Heranças, ajuda financeira e patrimônio familiar têm grande influência na acumulação de riqueza.
- Filhos de famílias proprietárias de imóveis têm mais chances de comprar uma casa, mesmo com renda semelhante à de outras pessoas.
Mercado imobiliário
- O acesso à casa própria ficou mais difícil nas últimas décadas.
- Em 1990, os imóveis custavam cerca de três vezes a renda anual das famílias.
- Hoje, o valor médio se aproxima de cinco vezes a renda anual.
- Em algumas grandes cidades, os preços superam dez vezes a renda mediana.
Impactos
- Imóveis continuam sendo uma das principais fontes de patrimônio.
- Trabalhadores com bons salários podem enfrentar dificuldades para comprar uma casa sem apoio familiar.
- As desigualdades patrimoniais, inclusive raciais, tendem a se perpetuar entre gerações.
Aplicação no Brasil
Embora o estudo tenha sido realizado nos Estados Unidos, especialistas apontam que a tendência também pode ser observada no Brasil. Com os imóveis cada vez mais caros, a ajuda familiar tem ganhado importância no acesso à casa própria.
Dados do IBGE mostram que a proporção de domicílios próprios quitados caiu de 66,8% para 61,6% entre 2016 e 2024, enquanto os imóveis alugados passaram de 18,4% para 23%. Nesse contexto, famílias que conseguem auxiliar os filhos com entrada, financiamento ou transferência de patrimônio oferecem uma vantagem relevante.









