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OMS revela o mínimo de atividade física que uma pessoa deve fazer por semana e estudo confirma uma notícia preocupante para os brasileiros

Jovens de 18 a 24 anos são os mais sedentários do Brasil, com 57% não alcançando os 150 minutos semanais recomendados pela OMS.


Por Bernardo Teixeira

02/10/2026 às 08h04

OMS revela o mínimo de atividade física que uma pessoa deve fazer por semana e estudo confirma uma notícia preocupante para os brasileiros
Foto: Nay Nyo/Pexels

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estabelece uma meta clara: 150 minutos semanais de atividade física moderada. No Brasil, porém, 59% da população fica abaixo desse patamar, e 35% se movimentam menos de 30 minutos por semana. O país ocupa o terceiro lugar entre as 31 nações com maior proporção de adultos sedentários.

Os brasileiros passam aproximadamente 14 horas por dia praticamente parados, o equivalente a 88% do tempo em que estão acordados. Essa realidade também aparece em outros dados: 53% afirmam conseguir ficar três dias ou mais sem sair de casa. O percentual sobe para 60% entre jovens de 18 a 24 anos, o grupo com pior desempenho em atividade física.

Um jovem está sentado em um sofá de couro desfrutando de uma refeição para viagem em um interior aconchegante.
Foto: cottonbro studio/Pexels

A geração mais sedentária

Entre os jovens de 18 a 24 anos, 57% não alcançam os 150 minutos semanais recomendados pela OMS, o pior resultado entre todas as faixas etárias analisadas. O Relatório de Preservação do Movimento, encomendado pela marca esportiva ASICS, reuniu 34 mil participantes espalhados por 31 países e foi conduzido em julho de 2026.

Nessa faixa etária, comportamentos sedentários também aparecem em outros hábitos: 46% afirmam passar longos períodos deitados enquanto navegam ou assistem a conteúdo no celular; 39% permanecem na cama usando o smartphone por muito tempo. E 30% relataram passar noites inteiras sem sair do lugar.

Inteligência artificial também integra o quadro, 41% dos jovens recorrem a ferramentas digitais para resolver atividades que antes exigiam deslocamento físico.

Um jovem jogando intensamente em um computador, cercado por equipamentos tecnológicos em uma sala com pouca luz.
Foto: Yan Krukau/Pexels

Telas e conveniência: como o mundo digital mudou o movimento

Resolver tarefas e fazer compras pela internet virou rotina para 41% dos brasileiros. Encontros por chamada de vídeo ou telefone substituem o contato presencial para 61% das pessoas consultadas. Trabalho remoto e aplicativos de delivery entraram na lista dos fatores que mudaram a forma como o brasileiro se desloca e gasta energia no cotidiano.

David Raichlen, da Universidade do Sul da Califórnia, disse em entrevista ao estudo que a sociedade moderna tornou o deslocamento dispensável. Trabalhar, comprar e socializar não exigem mais sair do lugar, mas o corpo humano continua precisando de movimento regular para funcionar bem.

Passar o dia inteiro sem praticamente se mexer parece simples para 64% dos entrevistados, sinalizando como essa mudança de comportamento se naturalizou nas rotinas.

Estúdio de música moderno com guitarras, computadores e equipamentos de iluminação. Ideal para temas de criatividade e tecnologia.
Foto: Paulo Victor/Pexels

O impacto físico e mental da falta de movimento

A Universidade de Viena também integra a análise do levantamento, reforçando a abordagem internacional do problema. Pesquisas anteriores já confirmaram que o sedentarismo causa mais de 5 milhões de mortes por ano no mundo e aumenta o risco de doenças metabólicas e desequilíbrios hormonais, especialmente entre jovens brasileiros. Segundo levantamentos prévios, até 84% deles estão inativos.

Brendon Stubbs, do King’s College London e da Universidade de Viena, afirmou ao estudo que não é apenas o total semanal de atividade que importa: a forma como o dia inteiro se organiza também faz diferença.

Adultos que atingem os 150 minutos recomendados mas passam mais de dez horas diante de telas apresentam bem-estar inferior ao de quem passa uma a duas horas assim. Exercício físico demonstra impacto comparável ao da psicoterapia na redução de sintomas ansiosos e depressivos leves a moderados.

Esperança nos números: pequenos movimentos contam

A OMS reforça que qualquer atividade conta: caminhar até o mercado, pedalar até o trabalho ou subir escadas em vez de usar o elevador já representa ganho real para o corpo.

O levantamento aponta uma perspectiva esperançosa: entre adultos que fizeram alguma atividade. Ainda que abaixo da recomendação, a pontuação de bem-estar foi de 66 em 100, ante 57 entre os sedentários e 71 entre os que alcançaram 150 minutos semanais.

Mantidas as tendências atuais, porém, a situação pode se agravar. A parcela de adultos “ativos” pode cair de 47% em 2026 para 44% em 2035, evidenciando a urgência de reverter esse cenário.

A recomendação não se limita a exercícios esportivos: qualquer movimento corporal que aumente o gasto de energia, caminhar. Pedalar, praticar esportes ou fazer deslocamentos ativos, conta para atingir a meta e, principalmente, para romper longos períodos de comportamento sedentário que prejudicam a saúde e o bem-estar.