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O que parecia apenas sucata no fundo do rio era na verdade um tesouro de um navio que afundou há 2.200 anos atrás

Trabalhadores na Áustria descobriram há alguns anos o maior depósito de barras de ferro pré-históricas já registrado na Europa enquanto retiravam cascalho…


Por Bernardo Teixeira

26/09/2026 às 08h04

O que parecia apenas sucata no fundo do rio era na verdade um tesouro de um navio que afundou há 2.200 anos atrás
Foto: Peter Trebsche

Trabalhadores na Áustria descobriram há alguns anos o maior depósito de barras de ferro pré-históricas já registrado na Europa enquanto retiravam cascalho das margens do Danúbio. O carregamento reunia cerca de uma tonelada de metal datado entre os séculos III e II a.C. e permaneceu submerso por mais de 2 mil anos antes de quase ser descartado como sucata.

O achado ocorreu em 2019, perto de Deinham, quando uma escavadeira encontrou centenas de objetos metálicos pontiagudos e enferrujados. Os trabalhadores alertaram as autoridades arqueológicas e impediram que o material fosse descartado.

A análise, publicada em 21 de setembro na revista Antiquity, identificou 540 peças: 193 barras completas e 307 fragmentadas, e todas tinham a forma característica de dupla ponta.

Matéria-prima para equipar um exército

Os pesquisadores identificaram as peças como produtos semiacabados: blocos de ferro que ferreiros transformariam em espadas, ferramentas ou pregos. Liderados por Peter Trebsche. Da Universidade de Innsbruck, e Marion Berranger, da Université de Technologie de Belfort Montbéliard, eles estimam que a quantidade seria suficiente para fabricar cerca de 500 espadas ou até 8 mil pregos.

O material poderia também equipar um grande grupo de guerreiros com armamentos completos.

As barras completas medem, em média, 28,5 centímetros de comprimento e pesam aproximadamente 2 quilos cada. O arqueólogo Peter Trebsche, da Universidade de Innsbruck, descreveu o achado como “nada menos que um pequeno milagre”, já que a maior descoberta em massa de barras de ferro pré-históricas da Europa quase foi perdida para sempre.

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Foto: Heinz Gruber, Bundesdenkmalamt

O que o tesouro revela sobre a Idade do Ferro

A descoberta indica que a produção e o comércio de metal na Europa da Idade do Ferro, antes da expansão de Roma, alcançavam uma escala maior do que se imaginava. A quantidade de ferro concentrada num único carregamento sugere redes comerciais sofisticadas e uma capacidade produtiva maior para aquela época.

A equipe acredita que a carga tenha se perdido durante o transporte fluvial pelo Danúbio, provavelmente em um navio. Ainda assim, não descarta a possibilidade de deposição intencional, e nenhum vestígio de barco foi encontrado, e escavações industriais destruíram parte do contexto arqueológico. Pesquisadores analisam vestígios químicos das barras como “assinatura” do minério.

Esse estudo pode ajudar a determinar com precisão onde o ferro foi extraído e produzido. Os pesquisadores suspeitam que o ferro tenha origem na Baviera, a cerca de 200 quilômetros do local da descoberta. A hipótese se baseia em achados semelhantes e em áreas de produção associadas a grandes assentamentos fortificados.