O projeto do governo Lula para os Correios que pode mudar completamente o serviço postal no Brasil

Correios passam por reestruturação com corte de custos, 12×36, prejuízo e pressão do mercado; governo descarta privatização e busca eficiência e logística


Por Yasmin Henrique

08/06/2026 às 20h05

O projeto do governo Lula para os Correios que pode mudar completamente o serviço postal no Brasil

O debate sobre o futuro dos Correios ocorre em meio a uma reestruturação operacional, financeira e trabalhista em andamento. O plano inclui revisão da malha logística com reorganização de unidades deficitárias, ampliação do uso de tecnologia para rastreamento e gestão de entregas, programas de demissão voluntária e venda de ativos imobiliários para reforço do caixa

No campo político, o governo federal mantém posição contrária à privatização, mas admite discutir modelos de maior flexibilidade administrativa e possíveis arranjos híbridos de gestão. O objetivo é reposicionar a estatal como operador logístico competitivo diante da queda contínua no envio de correspondências físicas e da transformação do mercado.

Escala de trabalho

Em março de 2026, a Correios informou a implantação gradual da escala 12×36 em atividades específicas dentro do plano de reestruturação. A adoção ocorrerá de forma progressiva e conforme as demandas de cada área, sobretudo aquelas que operam de maneira contínua.

No campo sindical, o Sindicato dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios Telégrafos e Similares de São Paulo (SINTECT-SP) e a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (FENTECT) criticam a proposta. 

As entidades pedem maior transparência, a divulgação de estudos de impacto e alertam para possíveis efeitos na saúde e na rotina dos trabalhadores, além de recomendar cautela em eventuais alterações contratuais.

Operação dos Correios

No campo financeiro, a estatal registrou prejuízo de cerca de R$ 600 milhões em 2023 e contratou, em 2025, empréstimos bilionários com garantia da União. A empresa opera com cerca de 80 mil empregados e mais de 10 mil unidades em todo o país.

O cenário operacional e de mercado é marcado por um setor logístico nacional que movimenta mais de R$ 200 bilhões em investimentos, com aumento da participação de empresas privadas no segmento de entregas e maior pressão por eficiência e redução de custos nos Correios.