Novo tratamento contra câncer no sangue reduz em 60% o risco de avanço da doença ou morte
Ensaio clínico incluiu 393 pacientes que já haviam passado por uma média de três linhas de tratamento anteriores sem sucesso.

O mieloma múltiplo refratário, uma das formas mais agressivas de câncer hematológico, pode ter um novo aliado no mercado nos próximos anos. A AbbVie divulgou os resultados de um estudo de Fase 3 que testou o etentamig, uma terapia biespecífica que mostrou superioridade em relação aos tratamentos padrão em dois indicadores centrais: taxa de resposta objetiva e sobrevida livre de progressão.
Os números são expressivos. No grupo que recebeu o medicamento experimental, 74% dos pacientes apresentaram redução ou desaparecimento do tumor, enquanto entre os que seguiram os protocolos convencionais esse índice foi de 45,7%.
O benefício também se refletiu na sobrevida: após 12 meses, 87,9% dos pacientes tratados com etentamig continuavam vivos, ante 72% no grupo de controle. A análise estatística apontou ainda uma redução de 60% no risco de progressão ou óbito.
Ensaio clínico incluiu 393 pacientes
O ensaio clínico incluiu 393 pacientes que já haviam passado por uma média de três linhas de tratamento anteriores sem sucesso, o que torna os resultados ainda mais relevantes para uma população com opções terapêuticas limitadas. O etentamig atua recrutando células T do próprio organismo contra as células tumorais, por meio da ligação a duas proteínas-alvo.
Analistas avaliaram que o novo fármaco se posiciona de forma mais promissora como uma opção complementar às terapias CAR-T, como o Carvykti, da Johnson & Johnson, e o anito-cel, da Gilead, do que como um substituto direto.
A avaliação é que o CAR-T oferece respostas profundas e permite períodos de pausa no tratamento, enquanto o etentamig tem a vantagem da disponibilidade imediata, administração mensal e acesso potencialmente mais amplo a centros de saúde.









