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Novo tratamento contra câncer no sangue reduz em 60% o risco de avanço da doença ou morte

Ensaio clínico incluiu 393 pacientes que já haviam passado por uma média de três linhas de tratamento anteriores sem sucesso.


Por Clyverton Silva

08/09/2026 às 17h14

Novo tratamento contra câncer no sangue reduz em 60% o risco de avanço da doença ou morte
Foto ilustrativa: Mikhail Nilov/Pexels

O mieloma múltiplo refratário, uma das formas mais agressivas de câncer hematológico, pode ter um novo aliado no mercado nos próximos anos. A AbbVie divulgou os resultados de um estudo de Fase 3 que testou o etentamig, uma terapia biespecífica que mostrou superioridade em relação aos tratamentos padrão em dois indicadores centrais: taxa de resposta objetiva e sobrevida livre de progressão.

Os números são expressivos. No grupo que recebeu o medicamento experimental, 74% dos pacientes apresentaram redução ou desaparecimento do tumor, enquanto entre os que seguiram os protocolos convencionais esse índice foi de 45,7%.

O benefício também se refletiu na sobrevida: após 12 meses, 87,9% dos pacientes tratados com etentamig continuavam vivos, ante 72% no grupo de controle. A análise estatística apontou ainda uma redução de 60% no risco de progressão ou óbito.

Ensaio clínico incluiu 393 pacientes

O ensaio clínico incluiu 393 pacientes que já haviam passado por uma média de três linhas de tratamento anteriores sem sucesso, o que torna os resultados ainda mais relevantes para uma população com opções terapêuticas limitadas. O etentamig atua recrutando células T do próprio organismo contra as células tumorais, por meio da ligação a duas proteínas-alvo.

Analistas avaliaram que o novo fármaco se posiciona de forma mais promissora como uma opção complementar às terapias CAR-T, como o Carvykti, da Johnson & Johnson, e o anito-cel, da Gilead, do que como um substituto direto.

A avaliação é que o CAR-T oferece respostas profundas e permite períodos de pausa no tratamento, enquanto o etentamig tem a vantagem da disponibilidade imediata, administração mensal e acesso potencialmente mais amplo a centros de saúde.