Nova terapia contra câncer de mama recebe sinal verde da Anvisa

Anvisa aprova nova terapia oral para câncer de mama avançado e amplia opções de tratamento no Brasil.


Por Leticia Florenco

25/06/2026 às 08h33

Nova terapia contra câncer de mama recebe sinal verde da Anvisa
Foto: Freepik

O tratamento do câncer de mama no Brasil acaba de ganhar um importante reforço.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o registro de uma nova terapia voltada para pacientes com um tipo específico da doença em estágio avançado.

A aprovação representa um avanço na medicina oncológica e traz novas perspectivas para mulheres que já passaram por outras linhas de tratamento.

A decisão reforça a busca por terapias mais modernas, personalizadas e direcionadas às características genéticas dos tumores, uma tendência cada vez mais presente no combate ao câncer em todo o mundo.

Anvisa aprova medicamento inovador para casos avançados

A Anvisa publicou o registro do medicamento Inluriyo® (tosilato de inlunestranto), desenvolvido pela indústria farmacêutica Eli Lilly.

O tratamento foi aprovado para pacientes adultas diagnosticadas com câncer de mama localmente avançado ou metastático, quando a doença já se espalhou para outras regiões do organismo.

A terapia é indicada para mulheres que já receberam tratamento endócrino anteriormente e apresentam características biológicas específicas no tumor, tornando a abordagem mais direcionada e precisa.

Tratamento oral traz mais praticidade às pacientes

Um dos diferenciais do novo medicamento é sua administração por via oral.

Diferentemente de algumas terapias que exigem aplicações hospitalares frequentes, o tratamento pode oferecer mais praticidade e conforto durante o acompanhamento médico.

A utilização como monoterapia, ou seja, sem necessidade de associação obrigatória com outros medicamentos, também pode facilitar o planejamento terapêutico para determinados grupos de pacientes.

Quem poderá utilizar a nova terapia

A aprovação contempla pacientes que apresentam um perfil molecular bastante específico da doença. O medicamento é destinado aos casos de câncer de mama que reúnem três características principais:

  • Receptor de estrogênio positivo (ER+);
  • Receptor HER2 negativo (HER2-);
  • Presença da mutação ESR1.

Essas informações são identificadas por exames laboratoriais e testes genéticos realizados durante a investigação e o acompanhamento do câncer.

A identificação dessas alterações permite que os médicos escolham terapias mais adequadas para cada situação clínica.

Medicina personalizada ganha espaço no combate ao câncer

A chegada do inlunestranto reforça o crescimento da chamada medicina personalizada, modelo que busca adaptar o tratamento de acordo com as características genéticas e biológicas do paciente e do tumor.

Nos últimos anos, os avanços científicos permitiram compreender melhor o comportamento das células cancerígenas, possibilitando o desenvolvimento de medicamentos capazes de atuar em mecanismos específicos responsáveis pela progressão da doença.

Essa estratégia tem sido considerada uma das principais evoluções da oncologia moderna.

Mutação genética pode influenciar resposta ao tratamento

A mutação ESR1, alvo da nova terapia aprovada, é uma alteração genética que pode surgir ao longo da evolução do câncer de mama e está associada à resistência de determinados tratamentos hormonais.

Quando essa mutação aparece, algumas terapias podem perder parte de sua eficácia, tornando necessária a adoção de novas alternativas terapêuticas.

Por isso, medicamentos desenvolvidos especificamente para atuar nesses casos representam uma importante ferramenta para ampliar as possibilidades de controle da doença.

Câncer de mama continua sendo o mais frequente entre mulheres

O câncer de mama permanece como a neoplasia maligna mais comum entre as mulheres brasileiras. Os números demonstram a relevância do tema para a saúde pública nacional.

Segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA), foram registrados cerca de 73.610 novos casos anuais da doença no período entre 2023 e 2025, representando aproximadamente 30,1% de todos os cânceres diagnosticados na população feminina.

Os dados evidenciam a necessidade constante de investimentos em prevenção, diagnóstico precoce e desenvolvimento de novos tratamentos.

Avanços científicos aumentam expectativas para o futuro

Especialistas apontam que a aprovação de terapias cada vez mais específicas pode contribuir para melhorar o controle da doença e ampliar as alternativas disponíveis para pacientes que enfrentam tumores resistentes aos tratamentos convencionais.

Além disso, o crescimento das pesquisas em genética, biologia molecular e imunoterapia tem acelerado o surgimento de medicamentos inovadores, transformando o cenário da oncologia em diversas partes do mundo.