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Nova exigência para tirar CNH de carro e moto começa a provocar mudanças no processo

Nova regra exige exame toxicológico para tirar CNH de carro e moto e altera etapas da primeira habilitação.


Por Leticia Florenco

22/06/2026 às 15h00

Nova exigência para tirar CNH de carro e moto começa a provocar mudanças no processo

A partir de 29 de junho, uma nova exigência para quem deseja obter a primeira Carteira Nacional de Habilitação (CNH) nas categorias A e B começará a mudar significativamente o processo de formação de condutores no Brasil.

A obrigatoriedade do exame toxicológico para candidatos a motoristas de carros e motocicletas passa a valer em cumprimento à Lei 15.153/2025, trazendo novas etapas, custos e responsabilidades para quem pretende conquistar o documento.

Exame toxicológico passa a ser obrigatório para novos condutores

Os candidatos que iniciarem o processo de primeira habilitação nas categorias A (motocicletas) e B (automóveis) precisarão apresentar resultado negativo em exame toxicológico antes de avançar nas demais fases do processo.

A medida foi incorporada ao Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e tem como objetivo reforçar a segurança viária, identificando previamente o uso de substâncias psicoativas que possam comprometer a capacidade de condução de veículos.

A mudança representa uma das alterações mais relevantes dos últimos anos para quem está prestes a ingressar no universo da condução.

Quem será afetado pela nova regra

A exigência vale apenas para candidatos que abrirem um novo processo de habilitação a partir da data de entrada em vigor da medida.

Quem já possui requerimento registrado no sistema do Detran antes da implementação da nova regra poderá concluir o processo normalmente, sem a necessidade de realizar o exame toxicológico.

A determinação também não afeta:

  • Renovação da CNH;
  • Emissão de segunda via do documento;
  • Permissão Internacional para Dirigir (PID);
  • Condutores que já possuem habilitação válida.

Como funcionará o novo procedimento

Com a alteração, o exame toxicológico passa a integrar as etapas iniciais da obtenção da CNH. O candidato deverá:

  1. Abrir o Registro Nacional de Condutores Habilitados (Renach);
  2. Realizar o exame toxicológico em laboratório credenciado;
  3. Obter resultado negativo;
  4. Prosseguir para os exames médico e psicológico;
  5. Participar do curso teórico;
  6. Realizar as provas exigidas;
  7. Cumprir as aulas práticas;
  8. Fazer o exame de direção.

Sem a aprovação no exame toxicológico, o sistema impedirá o avanço para as demais etapas.

Resultado terá prazo de validade

Outro ponto importante da nova regra é o prazo de validade do exame. O resultado negativo deverá ter sido emitido em até 90 dias antes da realização das avaliações física, mental e psicológica.

Caso esse prazo seja ultrapassado, o candidato poderá ser obrigado a realizar um novo exame para prosseguir com o processo.

Onde o exame poderá ser realizado

O teste deverá ser feito exclusivamente em laboratórios credenciados pela Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran).

Esses estabelecimentos já são responsáveis pela realização dos exames toxicológicos exigidos para motoristas das categorias C, D e E, que conduzem caminhões, ônibus e outros veículos de grande porte.

Após a conclusão da análise, os próprios laboratórios inserem os resultados diretamente no sistema nacional integrado da Senatran, permitindo o acesso automático pelos Departamentos Estaduais de Trânsito.

Impacto financeiro para os candidatos

A inclusão de uma nova etapa também traz um aumento nos custos para quem pretende obter a primeira habilitação.

Além das taxas tradicionais referentes ao processo de formação de condutores, exames médicos, psicológicos e aulas práticas, o candidato agora precisará arcar com o valor do exame toxicológico.

Especialistas apontam que essa despesa adicional poderá influenciar o planejamento financeiro de muitos brasileiros que buscam a CNH, especialmente jovens em busca da primeira habilitação.

Objetivo é aumentar a segurança no trânsito

Defensores da medida argumentam que a exigência pode contribuir para reduzir acidentes relacionados ao uso de drogas ilícitas por condutores.

A intenção é identificar previamente situações que possam representar risco à segurança viária, aumentando o controle sobre a aptidão dos futuros motoristas antes mesmo de sua entrada nas ruas e estradas.

O debate, porém, também envolve questionamentos sobre custos, efetividade e impacto social da nova exigência.

Processo digital continua disponível

Os candidatos que optarem pelo curso teórico por meio do aplicativo CNH do Brasil poderão continuar utilizando a plataforma normalmente.

Nesses casos, o requerimento junto ao Detran será aberto apenas após a conclusão da etapa teórica.

Entretanto, no momento do atendimento presencial e do encaminhamento para os exames médicos, o resultado do toxicológico já deverá constar registrado no sistema.

Sem essa comprovação, o processo ficará bloqueado até o cumprimento da exigência legal.

Com a entrada em vigor da regra, milhares de futuros condutores precisarão se adaptar aos novos procedimentos para conquistar o tão desejado documento de habilitação e ingressar legalmente no trânsito brasileiro.