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Nem todo mundo lê um livro da mesma forma e a ciência explica por quê

Leitura varia conforme imaginação mental; experiências diferem entre pessoas, sem relação com inteligência ou capacidade de compreensão


Por Yasmin Henrique

06/07/2026 às 17h53

Nem todo mundo lê um livro da mesma forma e a ciência explica por quê

A leitura e a interpretação de uma narrativa não ocorrem da mesma forma para todas as pessoas. Estudos em psicologia cognitiva e neurociência mostram que diferentes níveis de imaginação mental influenciam a forma como cada indivíduo constrói a experiência de um texto, tornando a percepção bastante variável.

Nesse contexto, a imaginação é entendida como um processo contínuo, e não como uma condição fixa. Ela pode variar em intensidade, clareza e até no tipo de sensação envolvida, impactando a experiência subjetiva da leitura, sem estar necessariamente ligada à capacidade intelectual ou interpretativa de cada pessoa.

Formas de ler um livro

Visualização imersiva

  • Extremo do espectro em que o leitor cria imagens mentais muito vívidas, com cenas, cores e movimentos.
  • A experiência se assemelha a um “filme interno” durante a leitura.

Afantasia

  • Condição em que a pessoa não forma imagens mentais.
  • Não impede a compreensão de narrativas, emoções ou estruturas de histórias.
  • Estimativas indicam que atinge cerca de 1% a 3% da população, muitas vezes sem diagnóstico ou percepção do próprio caso.

Espectro intermediário

  • Faixa mais comum entre os leitores.
  • Imagens mentais aparecem de forma parcial, em flashes ou com intensidade variável.
  • A vivência da leitura pode oscilar ao longo do tempo e do conteúdo.

Impactos da imaginação

Desempenho cognitivo

  • A ausência de imagens mentais não está ligada a redução de inteligência ou compreensão.
  • Pessoas com afantasia usam mais estratégias verbais, conceituais e lógicas.
  • O desempenho em tarefas cognitivas tende a ser semelhante entre os diferentes perfis.

Memória e percepção

  • Diferenças podem aparecer na forma de recordar experiências.
  • Pessoas com menor imaginação visual tendem a ter memórias menos visuais.
  • Podem existir variações em sonhos e experiências sensoriais, mas não de forma uniforme.

Estudos de neuroimagem indicam que áreas do cérebro ligadas à visão são ativadas em todos os indivíduos durante a imaginação, mesmo sem imagens conscientes. O que muda é a intensidade e a conectividade dessa ativação.