Nem a Copa conseguiu impulsionar vendas de TVs como o mercado esperava
Vendas de TVs cresceram pouco em 2026, mesmo com a Copa do Mundo, enquanto outros eletroeletrônicos avançaram.

O setor brasileiro de eletroeletrônicos registrou crescimento nas vendas nos primeiros meses de 2026, mas um dos segmentos mais importantes da indústria ficou abaixo das expectativas.
Mesmo com a realização da Copa do Mundo e uma série de campanhas promocionais voltadas ao consumo de televisores, as vendas de TVs avançaram apenas 3% entre janeiro e maio, evidenciando um mercado mais cauteloso e menos suscetível aos efeitos de grandes eventos esportivos.
Os dados foram divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), que apontou a comercialização de 53,6 milhões de unidades no acumulado do ano, volume 11% superior ao registrado no mesmo período de 2025.
Apesar do resultado positivo para o setor como um todo, a categoria de televisores movimentou cerca de 5,6 milhões de unidades, desempenho considerado modesto diante das expectativas da indústria.
Mercado de TVs mostra sinais de maturidade
De acordo com a Eletros, o segmento de televisores atravessa uma fase de maturidade, o que reduz o ritmo de crescimento observado em anos anteriores.
Embora fabricantes continuem investindo em tecnologias mais avançadas, como telas maiores, resoluções superiores e recursos inteligentes, o consumidor tem adiado a troca dos aparelhos por mais tempo.
O balanço divulgado inclui o mês de maio, período em que fabricantes e varejistas intensificaram ações para estimular a compra de televisores antes da Copa do Mundo. Ainda assim, o impacto foi limitado nos números gerais.
Levantamentos do varejo indicaram aumento nas vendas de modelos de tela grande durante junho, especialmente em comparação com o mesmo período do ano passado.
No entanto, esse movimento não foi suficiente para provocar uma aceleração do mercado no acumulado do ano.
Endividamento e juros altos influenciam consumo
Especialistas apontam que o cenário econômico continua sendo um dos principais fatores que limitam a expansão do segmento.
O aumento do endividamento das famílias e a manutenção de juros elevados têm reduzido a capacidade de compra dos consumidores, especialmente em produtos de maior valor agregado.
Segundo a Eletros, a combinação entre renda pressionada e crédito mais caro faz com que muitas famílias adiem decisões relacionadas à aquisição de bens duráveis.
Além disso, custos maiores para importação de componentes e dificuldades de acesso a insumos globais também elevam despesas da indústria e dificultam o planejamento de longo prazo.
Linha branca lidera crescimento do setor
Enquanto as televisões avançaram de forma moderada, a chamada linha branca apresentou forte expansão.
O segmento, que engloba refrigeradores, fogões e máquinas de lavar, registrou crescimento de 16% entre janeiro e maio, alcançando aproximadamente 7,1 milhões de unidades comercializadas.
A entidade atribui o resultado ao aumento da substituição de aparelhos antigos por modelos mais modernos, eficientes e econômicos, movimento que tem ganhado força nos últimos anos.
Eletroportáteis mantêm trajetória positiva
Outro destaque do levantamento foi o desempenho dos eletroportáteis.
Produtos como liquidificadores, aspiradores de pó, ferros de passar e air fryers tiveram crescimento de 15%, somando cerca de 37,6 milhões de unidades vendidas.
Segundo a associação, mesmo em períodos de restrição orçamentária, os consumidores continuam buscando itens que ofereçam praticidade e facilitem a rotina doméstica.
O preço mais acessível desses produtos também contribui para a manutenção da demanda.
Ar-condicionado registra queda após anos de alta
Após um ciclo prolongado de expansão, o mercado de ar-condicionado apresentou retração de 17% no acumulado do ano. Foram comercializadas aproximadamente 2,4 milhões de unidades no período.
A redução é atribuída, principalmente, às temperaturas mais amenas registradas em diversas regiões do país, diminuindo a necessidade de compra do equipamento.
O setor também enfrenta uma base de comparação elevada após três anos consecutivos de forte crescimento.
Tecnologia da informação também perde ritmo
O segmento de tecnologia da informação e comunicação apresentou desempenho negativo nos primeiros meses de 2026. As vendas de monitores de vídeo recuaram 13%, totalizando cerca de 792 mil unidades.
O resultado reflete a desaceleração da demanda após os investimentos realizados por empresas e consumidores nos últimos anos, especialmente durante o período de expansão do trabalho remoto e da digitalização.
Expectativa de crescimento moderado
Para o fechamento do primeiro semestre, a Eletros mantém expectativa de crescimento para o setor, mas com desempenhos distintos entre as categorias.
As previsões indicam expansão de 12% na linha branca, avanço de 31% nos produtos portáteis e crescimento de apenas 2% nas vendas de televisores.
Já os segmentos de ar-condicionado e tecnologia da informação devem continuar registrando retração ao longo dos próximos meses.
O cenário reforça uma mudança importante no comportamento do consumidor brasileiro.
Mesmo diante de eventos de grande apelo, como a Copa do Mundo, fatores econômicos como renda disponível, nível de endividamento e custo do crédito têm exercido influência cada vez maior sobre as decisões de compra.










