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Memória fraca pode ter relação com deficiência silenciosa dessa vitamina no corpo


Por Leticia Florenco

06/06/2026 às 08h04

Memória fraca pode ter relação com deficiência silenciosa dessa vitamina no corpo
Memória - Reprodução/Unsplash
Esquecimentos frequentes, dificuldade de concentração e lapsos de memória após os 50 anos costumam ser associados ao envelhecimento.No entanto, especialistas alertam que esses sintomas também podem indicar uma deficiência silenciosa de vitamina B12, nutriente fundamental para o funcionamento do cérebro e do sistema nervoso.Estudos recentes reforçam a relação entre baixos níveis da vitamina e o comprometimento cognitivo em idosos, levantando um alerta para a importância do diagnóstico precoce.

Vitamina desempenha papel importante no cérebro

Conhecida também como cobalamina, a vitamina B12 participa de processos essenciais para a saúde neurológica. Ela é responsável pela manutenção da bainha de mielina, estrutura que protege os nervos e garante a transmissão eficiente dos impulsos nervosos.Além disso, o nutriente contribui para a produção de neurotransmissores importantes, como serotonina e dopamina, e participa da formação das células vermelhas do sangue, responsáveis por levar oxigênio ao cérebro.Quando os níveis de B12 ficam abaixo do ideal, funções como memória, atenção e raciocínio podem ser afetadas de forma gradual.

Pesquisa associa baixos níveis da vitamina a pior desempenho cognitivo

Um estudo publicado na revista científica Gaceta Médica de México analisou 241 idosos e identificou uma associação entre deficiência de vitamina B12 e pior desempenho cognitivo.Os pesquisadores observaram que participantes com deficiência da vitamina apresentavam resultados inferiores em testes relacionados à memória, raciocínio e funções executivas quando comparados àqueles com níveis adequados do nutriente.Os dados reforçam a hipótese de que a deficiência pode contribuir para o declínio cognitivo durante o envelhecimento.

Absorção da vitamina diminui com o avanço da idade

Especialistas explicam que o risco de deficiência aumenta naturalmente após os 50 anos devido à redução da produção de ácido gástrico.Esse ácido é indispensável para liberar a vitamina B12 presente nos alimentos, permitindo sua absorção pelo organismo. Com a diminuição dessa produção, muitas pessoas passam a absorver menos vitamina, mesmo mantendo uma alimentação considerada adequada.Como consequência, indivíduos que consomem regularmente carnes, ovos e laticínios podem apresentar níveis insuficientes da substância sem perceber.

Alguns grupos apresentam risco ainda maior

Além do envelhecimento, determinadas condições aumentam significativamente a probabilidade de deficiência de vitamina B12. Entre os principais fatores de risco estão:
  • Uso prolongado de medicamentos para azia e refluxo;
  • Tratamento contínuo com metformina para diabetes tipo 2;
  • Cirurgia bariátrica;
  • Dietas vegetarianas e veganas sem suplementação adequada;
  • Doença celíaca e doença de Crohn;
  • Problemas de absorção intestinal.
Nesses casos, o acompanhamento médico costuma ser recomendado para monitorar os níveis do nutriente.

Fontes alimentares continuam sendo fundamentais

A vitamina B12 é encontrada principalmente em alimentos de origem animal. Entre as fontes mais importantes estão carnes bovinas, fígado, ovos, leite e derivados, além de peixes e frutos do mar.Especialistas destacam que algumas opções frequentemente divulgadas como fontes vegetais da vitamina, como algas e spirulina, não oferecem quantidades confiáveis da forma ativa do nutriente.Por isso, pessoas que não consomem produtos de origem animal frequentemente necessitam de suplementação orientada por profissionais de saúde.

Diagnóstico simples pode identificar o problema

A deficiência de vitamina B12 costuma se desenvolver lentamente e, muitas vezes, sem sintomas evidentes nos estágios iniciais. Por isso, especialistas recomendam atenção aos sinais persistentes de esquecimento, dificuldade de concentração e cansaço mental.Um exame de sangue simples pode avaliar os níveis da vitamina e auxiliar na identificação precoce do problema. O diagnóstico adequado permite iniciar o tratamento antes que ocorram danos neurológicos mais importantes, contribuindo para a preservação da memória e da qualidade de vida durante o envelhecimento.