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Mansão de R$ 1,4 bilhão com 45 cômodos, piscina coberta e 116 janelas está abandonada em um dos bairros mais ricos da Europa, enquanto um homem sem-teto vive há mais de três anos na entrada

A aceitação de Fernstedt pelos vizinhos revela que comunidades abastadas podem acolher pessoas em situação de rua quando há disposição para o diálogo.


Por Clyverton Silva

21/10/2026 às 12h31- Atualizada 21/10/2026 às 12h32

Mansão de R$ 1,4 bilhão com 45 cômodos, piscina coberta e 116 janelas está abandonada em um dos bairros mais ricos da Europa, enquanto um homem sem-teto vive há mais de três anos na entrada
Foto ilustrativa: Timur Weber/Pexels

Uma mansão de 45 cômodos no bairro londrino de Knightsbridge está vazia há anos. Há mais de três anos, porém, o pórtico da entrada serve de moradia para o sueco Anders Fernstedt, que fez do local sua casa.

A escritura está em nome de sua esposa, cujos bens foram congelados — situação que trava qualquer possibilidade de venda ou confisco por parte dos liquidantes. O impasse jurídico mantém a casa fechada enquanto Fernstedt ocupa a entrada, à vista de turistas que circulam pela região central de Londres.

Um pórtico vira endereço fixo

Colunas grandiosas emolduram a entrada da mansão, que tem piscina coberta e 116 janelas. Debaixo dessa estrutura, Fernstedt arrumou colchões, roupas de cama, plantas e um guarda-sol, organizando ali um espaço que resiste às quatro estações do ano.

Em entrevista à DW, Fernstedt disse que dorme bem há anos. Segundo ele, a cobertura do pórtico o protege do frio do inverno, enquanto a ventilação natural ajuda nos dias mais quentes. A ausência de paredes, que poderia ser um problema, virou parte do conforto que ele descreve.

Da redação de jornal ao pórtico de Londres

Fernstedt foi criado pela mãe na Suécia e teve diferentes ocupações no país natal e nos Estados Unidos, onde atuou no setor de tecnologia. Mudou-se para o Reino Unido em 2016 e passou a trabalhar com checagem de fatos para veículos como a revista The Economist.

Esse período profissional terminou quando as oportunidades de trabalho diminuíram por volta da pandemia de covid-19. Uma participação que ele mantinha em uma empresa de tecnologia da época em que vivia nos EUA rendeu algum dinheiro, mas a reserva acabou.

Antes de se fixar no pórtico da mansão, Fernstedt passou por uma barraca e por abrigos temporários. Episódios de violência e o convívio com pessoas em quadros graves de dependência marcaram essa fase. À DW, ele disse que decidiu viver abrindo mão quase por completo do dinheiro.

A vizinhança que sustenta a rotina

Padarias, cafés e floriculturas da região fornecem a Fernstedt alimentos que sobram do dia, flores para decorar o espaço onde vive e uma ligação à rede elétrica. Perto da estação de Victoria, uma instituição de apoio a pessoas em situação de rua oferece banho, roupas limpas e momentos de convívio social.

Enquanto o impasse jurídico permanece, o contraste entre a mansão trancada e a vida montada em sua entrada chama a atenção de quem passa por Knightsbridge.