Juíza investiga passado da própria família e descobre que bisavó foi condenada à morte por mandar matar o marido
Caso ficou conhecido como o crime da rua Lord Cochrane e envolveu a contratação de um assassino para matar o marido.

Uma juíza criminal chilena descobriu que sua própria bisavó planejou um dos crimes que mais chocaram o país no início do século 20. Andrea Díaz-Muñoz, de 53 anos, atua há mais de duas décadas no Poder Judiciário e soube por acaso, em 2020, que Corina Rojas, executada moralmente pela imprensa e condenada à morte em 1916, era sua ancestral.
O caso ficou conhecido como o crime da rua Lord Cochrane e envolveu a contratação de um assassino para matar o marido, David Díaz-Muñoz, um latifundiário 36 anos mais velho que ela.
Acusação
Corina tinha 28 anos e quatro filhos quando foi acusada de parricídio. Seus pais a obrigaram a casar aos 15 anos com um homem de 51, e o casamento nunca foi feliz.
O assassino, Alberto Duarte, apelidado de El saco de luche, entrou na casa na noite de 21 de janeiro e matou o agricultor enquanto ele dormia. A juíza contou que imaginou a bisavó como cruel, mas depois concluiu que algo mais precisava ter acontecido, e decidiu investigar e escrever o livro Corina: uma mulher, não um crime.
Pesquisa para o livro
A pesquisa mostrou que a imprensa da época tratou Corina com extrema dureza, ignorando que o marido a maltratava e tinha filhos fora do casamento.
A juíza também encontrou irregularidades no processo: Corina foi julgada por adultério mesmo quando a lei só permitia denúncia pelo marido, já falecido, e o juiz negou a atenuante de boa conduta anterior por considerá-la adúltera, decisão que a magistrada classifica como arbitrária. Ela chegou a ser condenada à morte, ficou dois anos presa e foi indultada em 1918.
Jorge Sangts
O amante de Corina, que se apresentava como Jorge Sangts, era na verdade José Justino Gandarillas, boliviano procurado por estelionato e outros crimes. Ele foi condenado por homicídio e, ao ser detido, apontou Corina rapidamente.
Jorge saiu da prisão poucos anos depois e, em 1924, voltou a se envolver com uma mulher casada e rica, Zulema Arenas, com quem tentou envenenar o marido dela. O homem sobreviveu, e Gandarillas foi condenado a três anos de prisão.









