Jovem abandona curso de Engenharia em 6 meses, trabalha com limpeza e construção nos EUA e volta sem diploma; hoje vende ternos de até R$45,9 mil
Aos 27 anos, Jean comanda uma marca de alfaiataria masculina em Campinas, no interior de São Paulo, que, segundo ele, fatura cerca de R$250 mil por mês.…

Aos 27 anos, Jean comanda uma marca de alfaiataria masculina em Campinas, no interior de São Paulo, que, segundo ele, fatura cerca de R$250 mil por mês. Os ternos sob medida chegam a R$45,9 mil e atraem clientes como jogadores de futebol, empresários e executivos.
A trajetória até o negócio passou por mudanças de direção. Jean deixou a faculdade de Engenharia Civil seis meses depois de iniciar o curso, viajou para os Estados Unidos com uma bolsa universitária para jogar futebol e trabalhou com limpeza, construção civil e em restaurante. Ao retornar ao Brasil, voltou ao negócio da família e começou a construir a própria marca.
Primeira loja surgiu ainda na adolescência
A história de Jean no empreendedorismo começou antes da faculdade. Em 2015, aos 16 anos, ele abriu uma loja de aluguel de vestidos de festa na mesma rua onde funcionava o ateliê da família, em Campinas.
O investimento inicial foi parcelado, e o estoque começou pequeno: eram 11 vestidos próprios. Para ampliar as opções oferecidas às clientes, ele também contou com peças de familiares que trabalhavam no mesmo segmento.
Dois anos depois, em 2017, decidiu seguir outro caminho. Influenciado pelo pai, que trabalha na construção civil, ingressou no curso de Engenharia Civil. A experiência, porém, durou apenas seis meses.
Faculdade é abandonada e jovem vai para os EUA
Depois de deixar a graduação, Jean viajou para os Estados Unidos em 2018 com uma bolsa universitária para jogar futebol. A experiência também acabou envolvendo uma rotina de trabalhos diferentes para complementar a renda.
Durante a temporada no país, ele trabalhou com limpeza, construção civil e em um restaurante. Ficou alguns meses nos Estados Unidos e retornou ao Brasil ainda naquele ano, sem um diploma universitário e sem um plano profissional definido.
A volta acabou levando Jean novamente ao ateliê da família. Dessa vez, porém, ele passou a enxergar o negócio também pelo lado administrativo e comercial.
Aprendizado na prática levou à alfaiataria
Ainda em 2018, Jean comprou uma segunda loja na mesma região e começou a ampliar o catálogo com ternos. Havia, no entanto, um problema: ele não dominava as técnicas necessárias para confeccionar as peças.
Sem dinheiro para contratar profissionais, começou a aprender por conta própria. Assistia a vídeos na internet, acompanhava o trabalho da avó no ateliê e aproveitava os períodos de menor movimento para praticar.
O processo transformou o conhecimento adquirido no ambiente familiar em uma habilidade profissional. Com o tempo, Jean passou a trabalhar com peças sob medida e a desenvolver uma proposta voltada para a alfaiataria artesanal.
Atualmente, os ternos comercializados pela marca custam entre R$12,8 mil e R$45,9 mil, dependendo do modelo e da produção.
Marca chega a faturamento de R$250 mil por mês
Segundo Jean, a empresa alcançou uma receita anualizada de aproximadamente R$3 milhões, o equivalente a uma média de R$250 mil por mês. A marca atende principalmente clientes de maior poder aquisitivo, entre eles jogadores de futebol, empresários e executivos.
O empresário atribui parte do crescimento à valorização do trabalho artesanal. Para ele, a escassez de profissionais especializados em alfaiataria permite trabalhar com peças mais exclusivas e com maior valor agregado.
A estratégia também envolve comunicar ao cliente o tempo e o trabalho necessários para produzir uma peça sob medida, em vez de competir diretamente com ternos produzidos em escala.
Planos para ampliar o negócio
Para 2026, a expectativa de Jean é alcançar faturamento próximo de R$4 milhões. A projeção apresentada pelo empresário para 2027 é ainda maior, chegando a R$8 milhões.
A expansão prevista mantém a alfaiataria sob medida como centro da operação. A trajetória, que começou com uma pequena loja de vestidos de festa e passou por uma breve experiência universitária e por trabalhos nos Estados Unidos, acabou levando Jean de volta ao ateliê onde cresceu.









