Idosos que ficam de 14 a 24 horas sem comer acumulam doenças mais rapidamente, aponta estudo
Idosos que costumam passar períodos mais longos sem comer podem acumular doenças crônicas mais rapidamente ao longo dos anos, segundo um estudo realizado…

Idosos que costumam passar períodos mais longos sem comer podem acumular doenças crônicas mais rapidamente ao longo dos anos, segundo um estudo realizado por pesquisadores do Karolinska Institutet, na Suécia. A associação foi mais evidente entre pessoas com 78 anos ou mais.
A pesquisa, publicada em 20 de agosto no periódico científico Journal of Internal Medicine, analisou a relação entre a duração do maior intervalo diário sem comer e o desenvolvimento de múltiplas doenças crônicas. Os resultados não significam que o jejum seja diretamente responsável pelo surgimento das enfermidades, mas apontam uma associação que merece atenção entre os idosos.
O trabalho é especialmente relevante porque boa parte das pesquisas sobre jejum e restrição alimentar foi realizada com adultos jovens ou de meia-idade. Segundo os pesquisadores, os efeitos desse padrão alimentar podem ser diferentes entre pessoas mais velhas.
Dados de duas décadas sobre idosos acompanhados
Os pesquisadores utilizaram informações do Swedish National Study on Aging and Care in Kungsholmen (SNAC-K), estudo longitudinal que acompanha moradores de Estocolmo. A análise incluiu 2.981 pessoas com 60 anos ou mais no início do acompanhamento, que foram observadas por até 15 anos.
Para determinar a duração do jejum habitual, os participantes informaram os horários em que normalmente realizavam as refeições ao longo de um período de 24 horas. A partir desses dados, os pesquisadores identificaram qual era o maior intervalo diário entre duas ocasiões de alimentação.
Os participantes que apresentavam os maiores intervalos, entre 14 e 24 horas, tiveram uma taxa mais elevada de acúmulo de doenças crônicas em comparação com aqueles cujo maior período sem comer ficava entre 6 e 11,5 horas.
A associação apareceu no número total de doenças e também em enfermidades cardiovasculares e neuropsiquiátricas. Já para doenças musculoesqueléticas, não foi observada relação significativa.
Quando os pesquisadores dividiram os participantes por idade, a associação entre períodos mais longos sem comer e maior acúmulo de doenças foi identificada entre aqueles com 78 anos ou mais. Entre os participantes mais jovens, com menos de 78 anos, essa relação não apareceu de forma significativa.
O que o estudo não explica
Apesar dos resultados, os pesquisadores ressaltam que o trabalho não permite afirmar que passar muitas horas sem comer provoca o desenvolvimento mais rápido das doenças. O estudo observou uma associação entre os dois fatores, mas não estabeleceu uma relação de causa e efeito.
Isso significa que outros fatores podem estar envolvidos na relação encontrada. O estudo utilizou informações sobre os hábitos alimentares relatados pelos próprios participantes e analisou a evolução da saúde ao longo do tempo, sem estabelecer que o período prolongado sem alimentação seja, por si só, o responsável pelo surgimento ou agravamento das doenças.
Os autores também destacam que os resultados devem ser interpretados dentro do contexto do envelhecimento. Segundo Adrián Carballo-Casla, pesquisador do Aging Research Center do Karolinska Institutet e um dos autores do trabalho, os efeitos associados ao jejum podem ser diferentes em pessoas mais velhas, principalmente entre os grupos de idade mais avançada.
A pesquisa, portanto, não estabelece que idosos devam evitar períodos específicos sem comer, mas amplia a discussão sobre como estratégias de jejum e horários das refeições podem se relacionar com a saúde durante o envelhecimento. Mais estudos serão necessários para determinar se existe uma relação causal e quais mecanismos poderiam explicar os resultados observados.








