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Idosos enfrentam dificuldade para acessar serviços bancários por causa da biometria

Biometria facial dificulta acesso de idosos a bancos e serviços digitais. Falhas no sistema levantam alerta sobre inclusão tecnológica.


Por Leticia Florenco

19/07/2026 às 13h04

Idosos enfrentam dificuldade para acessar serviços bancários por causa da biometria

A biometria facial, criada para aumentar a segurança em serviços bancários e plataformas digitais, tem se transformado em uma barreira para muitos idosos.

Dificuldades para validar a identidade pelo rosto têm impedido usuários de acessar aplicativos financeiros, sistemas governamentais e serviços essenciais.

O problema ganhou destaque após relatos de aposentados que não conseguem concluir processos digitais, como a prova de vida do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), ou acessar aplicativos ligados a benefícios e contas bancárias.

Especialistas afirmam que o avanço da tecnologia precisa ser acompanhado por medidas de inclusão, já que os sistemas atuais ainda apresentam maior índice de falhas entre pessoas mais velhas.

Estudos apontam aumento de erros com usuários acima dos 70 anos

Dados do Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos Estados Unidos (Nist), órgão de referência em avaliação tecnológica, indicam que os sistemas de reconhecimento facial apresentam mais dificuldades para identificar idosos.

Enquanto a taxa de erro entre pessoas jovens fica próxima de 1%, entre usuários com 70 anos ou mais o índice pode chegar a 5%. Na prática, a diferença representa uma chance de falha até cinco vezes maior.

Segundo especialistas, o envelhecimento provoca mudanças naturais no rosto que podem comprometer a precisão dos algoritmos, como alterações na pele, na musculatura facial e no formato das feições.

Mudanças no rosto e doenças podem dificultar identificação

O reconhecimento facial depende da comparação entre a imagem capturada pela câmera e os dados armazenados no sistema. Porém, o rosto humano não permanece igual ao longo dos anos.

Entre idosos, mudanças relacionadas à idade podem ocorrer em períodos menores, aumentando a dificuldade de correspondência para a inteligência artificial.

Além disso, algumas doenças podem interferir diretamente no processo. Alterações musculares, tremores e mudanças na expressão facial podem prejudicar a leitura dos sistemas.

Casos de pessoas com limitações de mobilidade mostram que a exigência de validação digital pode criar dificuldades ainda maiores para quem não consegue se deslocar facilmente até uma agência física.

Falhas impedem acesso a serviços importantes

A biometria passou a fazer parte de processos considerados essenciais, como autenticação em aplicativos bancários, acesso a plataformas do governo e confirmação de identidade para serviços previdenciários.

Quando o sistema não reconhece o usuário, muitas vezes a pessoa precisa repetir várias tentativas ou buscar atendimento presencial.

Para idosos que vivem sozinhos ou possuem dificuldades de locomoção, esse processo pode representar uma barreira impactante.

Especialistas alertam que a tecnologia precisa oferecer alternativas para evitar que uma falha de reconhecimento impeça o acesso a direitos básicos.

Sistemas também enfrentam risco de reconhecimento incorreto

Além dos casos em que o usuário verdadeiro não consegue ser identificado, existe outro problema: o falso positivo.

Esse erro acontece quando o sistema reconhece uma pessoa como se fosse outra, aumentando o risco de acessos indevidos.

Especialistas em segurança digital destacam que, embora a biometria seja uma ferramenta importante contra fraudes, nenhum sistema é completamente livre de falhas.

Por isso, a recomendação é combinar diferentes formas de proteção e oferecer caminhos alternativos de autenticação.

Exclusão digital aumenta com processos complexos

A dificuldade dos idosos não está apenas na biometria. O caminho até a validação costuma envolver várias etapas, como baixar aplicativos, criar senhas, confirmar códigos, autorizar acesso à câmera e seguir instruções na tela.

Para usuários que não cresceram com tecnologias digitais, cada etapa pode representar uma dificuldade.

Especialistas em cidadania digital afirmam que muitos idosos acabam dependendo da ajuda de familiares ou terceiros, o que pode aumentar riscos relacionados ao compartilhamento de senhas e informações pessoais.

Celulares antigos podem comprometer resultado da biometria

Outro fator que influencia a eficiência do reconhecimento facial é o equipamento utilizado.

Muitos idosos usam aparelhos antigos, com câmeras de menor qualidade ou configurações inadequadas para esse tipo de tecnologia.

Problemas como baixa iluminação, imagem desfocada, conexão instável e dificuldade para posicionar o celular corretamente podem fazer o sistema rejeitar a identificação.

Especialistas defendem tecnologia mais inclusiva

Pesquisadores afirmam que os sistemas precisam ser aprimorados para atender melhor diferentes perfis de usuários.

Entre as melhorias sugeridas estão ferramentas que expliquem claramente o motivo da falha, indiquem problemas na imagem e ofereçam novas tentativas com orientações mais simples.

Também é apontada a necessidade de ampliar a diversidade dos bancos de dados utilizados para treinar a inteligência artificial, incluindo mais rostos de idosos e diferentes características físicas.

Atendimento humano continua sendo necessário

Apesar do crescimento dos serviços digitais, especialistas defendem que o atendimento presencial e os canais tradicionais continuem disponíveis.

Para eles, a tecnologia deve facilitar a vida das pessoas, e não criar uma nova forma de exclusão.

Com o envelhecimento da população, governos e empresas terão o desafio de desenvolver sistemas mais seguros, mas também mais acessíveis para todas as faixas etárias.