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IA consegue ler pergaminho carbonizado há 2 mil anos e revela texto inédito da Antiguidade

IA decifra pergaminho carbonizado por quase 2 mil anos e revela texto inédito preservado desde a Antiguidade romana.


Por Leticia Florenco

26/06/2026 às 14h55

IA consegue ler pergaminho carbonizado há 2 mil anos e revela texto inédito da Antiguidade

Pesquisadores conseguiram decifrar um pergaminho carbonizado encontrado na antiga cidade de Herculano, na Itália, utilizando inteligência artificial e técnicas avançadas de imagem.

O resultado foi anunciado pelo projeto Vesuvius Challenge, iniciativa internacional que busca recuperar textos ocultos em documentos históricos danificados pelo tempo.

A descoberta representa um avanço significativo para a arqueologia e para os estudos da Antiguidade, já que os manuscritos permaneceram ilegíveis por séculos devido aos efeitos da erupção do Monte Vesúvio, ocorrida em 79 d.C.

O desastre destruiu cidades inteiras da região, incluindo Pompeia e Herculano, mas também preservou inúmeros vestígios históricos sob camadas de cinzas vulcânicas.

Documentos não podiam ser abertos sem serem destruídos

Os pergaminhos encontrados em Herculano foram expostos a temperaturas extremamente elevadas durante a erupção, tornando-se frágeis e carbonizados.

Por causa dessas condições, qualquer tentativa de abri-los fisicamente poderia provocar danos irreversíveis ao material.

Durante décadas, especialistas consideraram praticamente impossível acessar o conteúdo desses documentos sem comprometer sua integridade.

A situação começou a mudar com o desenvolvimento de novas tecnologias de escaneamento e processamento digital.

Inteligência artificial foi fundamental para a descoberta

Para recuperar os textos, os pesquisadores realizaram escaneamentos tridimensionais de alta resolução, capazes de visualizar o interior dos pergaminhos sem a necessidade de abri-los.

Em seguida, algoritmos de inteligência artificial analisaram as imagens e reconstruíram virtualmente as camadas do papiro.

O processo permitiu identificar traços de tinta invisíveis a olho nu e revelar palavras que permaneceram ocultas por quase dois milênios.

A técnica ficou conhecida como “desenrolamento virtual” e é considerada uma das mais promissoras ferramentas para a leitura de manuscritos antigos danificados.

Texto filosófico foi identificado

Entre os documentos analisados, os pesquisadores encontraram cerca de 70 colunas pertencentes à obra “Sobre os Vícios, Livro 1”, atribuída ao filósofo Filodemo, importante representante da tradição epicurista.

O conteúdo aborda temas relacionados à ética, ao comportamento humano e às virtudes morais, oferecendo novas informações sobre o pensamento filosófico do mundo greco-romano.

A descoberta também ajuda estudiosos a compreender melhor a produção intelectual preservada na chamada Biblioteca de Herculano, considerada uma das mais importantes coleções literárias da Antiguidade já encontradas.

Manuscrito mais antigo também foi recuperado

Outro destaque do projeto foi a leitura de um pergaminho datado entre os séculos III e II a.C., apontado pelos pesquisadores como o documento mais antigo já desenrolado digitalmente.

Com mais de 1,5 metro de comprimento e cerca de 20 colunas preservadas, o manuscrito contém reflexões sobre ética, artes e comportamento humano, ampliando o conhecimento sobre a literatura produzida no período helenístico.

Centenas de documentos ainda aguardam análise

Até o momento, cerca de 45 pergaminhos foram escaneados pela equipe do Vesuvius Challenge. No entanto, especialistas estimam que mais de 600 manuscritos encontrados em Herculano ainda aguardam leitura completa.

A expectativa é que novas análises revelem obras inéditas e informações capazes de ampliar o conhecimento sobre a cultura, a filosofia e a vida cotidiana das sociedades antigas.

Novas descobertas podem surgir

Além dos documentos já conhecidos, arqueólogos acreditam que grande parte de Herculano ainda permanece inexplorada. Áreas não escavadas podem esconder novos pergaminhos, bibliotecas e objetos históricos.

Com o avanço das tecnologias de inteligência artificial e imagem digital, pesquisadores avaliam que o projeto está apenas no início e poderá revelar, nos próximos anos, conteúdos que permaneceram inacessíveis desde a Antiguidade.