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Homem usa cinco nomes falsos, engana famílias de quatro países e só então admite ser pai de 199 crianças

Um homem de 43 anos usou pelo menos cinco identidades diferentes para realizar doações de esperma e fazer acordos privados com famílias de diferentes…


Por Evellyn Nascimento

05/09/2026 às 06h26

Homem usa cinco nomes falsos, engana famílias de quatro países e só então admite ser pai de 199 crianças
Simon ao lado de um de seus 199 filhos biológicos. Foto: Reprodução/NOS

Um homem de 43 anos usou pelo menos cinco identidades diferentes para realizar doações de esperma e fazer acordos privados com famílias de diferentes países europeus. Conhecido como Simon, ele teria sido responsável pelo nascimento de pelo menos 199 crianças, segundo uma contagem apresentada pelo próprio doador em uma carta enviada às famílias.

O caso veio à tona depois que mães descobriram que ele havia ocultado a quantidade de crianças geradas a partir de seu material genético. Inicialmente, 121 crianças haviam sido identificadas. Depois, Simon enviou uma carta na qual afirmou que o número real era maior e apresentou uma relação com ano, região e sexo das crianças. O documento foi obtido pelo programa holandês Nieuwsuur. 

Segundo o cálculo apresentado por ele, seriam 172 crianças nascidas nos Países Baixos, 15 na Bélgica e outras 12 em diferentes países. O número inclui situações em que a gestação não necessariamente terminou em nascimento com vida, segundo a própria ressalva feita na carta.

Doador teria usado diferentes identidades para continuar as doações

Simon começou a realizar doações em 2010 e, de acordo com relatos das famílias, teria utilizado diferentes nomes para se apresentar a bancos de esperma e também para negociar diretamente com casais que procuravam um doador.

A estratégia permitiu que ele circulasse entre diferentes canais de doação sem que todas as famílias tivessem acesso ao número total de crianças relacionadas ao seu material genético. Algumas mães também relataram que receberam informações falsas sobre quantos filhos ele já havia ajudado a gerar.

O caso ganhou proporções maiores quando as famílias passaram a compartilhar informações e perceberam que o mesmo homem havia participado de diferentes processos de reprodução assistida.

Mães relatam mentiras durante as negociações

Além da ocultação sobre o número de filhos, algumas mulheres relataram comportamentos considerados inadequados durante as negociações. Entre os relatos divulgados pelo Nieuwsuur estão mensagens de teor sexual e informações falsas usadas durante os contatos com as famílias.

Uma das mães, identificada como Babs, afirmou ao programa que percebeu um padrão de comportamento no qual o doador dizia determinadas coisas para convencer as mulheres a aceitar seu material genético. Segundo ela, naquele momento ainda havia outra mulher grávida com o esperma de Simon.

Os relatos fazem parte das denúncias apresentadas pelas famílias e ajudam a explicar por que o caso deixou de ser apenas uma questão sobre o número de doações e passou a envolver acusações de manipulação e fraude.

Ele participou de discussão sobre regras para doadores

Um dos aspectos mais controversos do caso é que Simon não era desconhecido das autoridades de saúde holandesas. Segundo informações divulgadas pela imprensa local, seu histórico de doações já era conhecido antes de a extensão do caso ser revelada.

Em 2019, ele chegou a participar de um grupo de trabalho ligado à discussão sobre as regras para doação de esperma nos Países Baixos. Naquele período, entretanto, continuava realizando doações e utilizando diferentes identidades.

O episódio levantou questionamentos sobre a capacidade de clínicas e autoridades de acompanhar a quantidade de famílias atendidas por um mesmo doador, especialmente quando parte das doações é realizada fora dos bancos de esperma tradicionais.

Holanda mudou regras depois de casos envolvendo superdoadores

Durante anos, clínicas de fertilidade holandesas trabalharam com um limite de 25 crianças por doador. A intenção era diminuir a concentração de material genético de uma mesma pessoa na população e reduzir riscos relacionados à consanguinidade entre pessoas que desconhecem ter o mesmo pai biológico.

A preocupação ganhou força depois de casos de “superdoadores”, homens que geraram dezenas ou até centenas de crianças por meio de diferentes clínicas e acordos privados.

Em 2025, os Países Baixos alteraram a legislação e passaram a limitar a utilização do esperma de um mesmo doador a 12 famílias. A mudança procura dificultar que um único homem tenha um número elevado de descendentes no país e também tornar mais fácil o controle sobre a distribuição das doações.

Muitas famílias só descobriram a dimensão do caso depois

A principal preocupação para as famílias envolvidas não está apenas na quantidade de crianças, mas também na dificuldade de saber quem são os outros descendentes do mesmo doador.

Quando um homem gera filhos com dezenas ou centenas de famílias, crianças que não sabem ter relação biológica podem se encontrar no futuro sem conhecer o parentesco. Existe ainda a preocupação com doenças hereditárias que poderiam atingir diferentes descendentes e permanecer desconhecidas para parte das famílias.

Por isso, os limites adotados por clínicas e governos não têm apenas uma função administrativa. Eles também buscam reduzir a concentração de um mesmo material genético e permitir um acompanhamento mais seguro das informações relacionadas ao doador.

Carta reconhece que número de filhos ficou muito maior

Na carta enviada às famílias, Simon afirmou que começou as doações em 2010 e reconheceu que o número de gestações acabou sendo muito maior do que havia imaginado ou desejado.

Ele declarou que acreditava estar ajudando pessoas que queriam ter filhos e disse ter sido motivado pela felicidade que via nos casais. Ao mesmo tempo, reconheceu que suas atitudes decepcionaram gravemente as famílias envolvidas.

A revelação, porém, deixou uma consequência que vai muito além das relações entre o doador e os pais das crianças: centenas de pessoas agora podem ter de lidar com uma rede de parentesco biológico muito maior do que imaginavam.