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Homem diz ter abandonado emprego bem pago para voltar à casa dos pais, mora com eles por cerca de 30 anos e depois enfrenta irmãos por imóvel de R$ 4 milhões

Um homem de 62 anos disputa na Justiça britânica uma herança avaliada em cerca de £600 mil, o equivalente a pouco mais de R$ 4 milhões, contra os dois…


Por Evellyn Nascimento

24/09/2026 às 09h44

Homem diz ter abandonado emprego bem pago para voltar à casa dos pais, mora com eles por cerca de 30 anos e depois enfrenta irmãos por imóvel de R$ 4 milhões
Foto: Reprodução/Champion News

Um homem de 62 anos disputa na Justiça britânica uma herança avaliada em cerca de £600 mil, o equivalente a pouco mais de R$ 4 milhões, contra os dois irmãos. Robert Chung afirma que deixou uma carreira que considerava promissora na indústria cinematográfica para retornar à casa dos pais em 1990 e ajudá-los durante a velhice. Ele permaneceu no imóvel por cerca de 30 anos.

A mãe de Robert morreu em 2016 sem deixar um testamento válido, dando início à disputa sobre o patrimônio. O principal bem envolvido no processo é uma casa de três quartos em Mulberry Way, South Woodford, avaliada em aproximadamente £400 mil, cerca de R$ 2,7 milhões. Os irmãos contestam a versão de Robert de que os pais teriam prometido deixar a propriedade para ele.

Retorno para a casa dos pais

Robert havia deixado a residência familiar e passado um período morando em Berkshire antes de voltar, em 1990. Segundo seu depoimento, os pais pediram que ele retornasse para ajudá-los conforme envelhecessem.

O pai, Victor, recebeu o diagnóstico de câncer em 1992 e morreu em 1998. Robert afirmou que, antes da morte, ele pediu que o filho continuasse vivendo na casa para cuidar de Irene, sua esposa.

O homem sustenta que tomou decisões profissionais levando em consideração essa responsabilidade. Ele afirma que abandonou um trabalho relacionado à indústria cinematográfica, que considerava bem remunerado, e passou 22 anos trabalhando em um centro de emprego.

A alegação é importante para a disputa porque Robert afirma que os pais haviam prometido que ele poderia ficar com a casa em troca de permanecer na residência e ajudá-los. Como não havia um documento formal que registrasse essa promessa, a questão acabou sendo levada ao tribunal.

Irmãos contestam a história

Os irmãos apresentam uma versão diferente sobre a relação de Robert com os pais. Marina Bennett, de 60 anos, trabalha como contadora sênior nos Estados Unidos e no Canadá. Richard Chung, de 58 anos, é gerente de tecnologia da informação em Londres.

Segundo os dois, a mãe sempre incentivou os filhos a construírem suas próprias vidas e não teria feito uma promessa que garantisse a Robert o direito exclusivo sobre a propriedade.

A defesa também questionou a maneira como Robert descreveu sua antiga carreira. Enquanto ele afirma ter abandonado uma trajetória na indústria cinematográfica, os irmãos disseram que seu trabalho ligado ao setor consistia principalmente em atuar em uma loja da Blockbuster.

Robert, porém, apresentou outra versão. Segundo seu depoimento, além de trabalhar na rede de locadoras, ele também produzia textos promocionais relacionados a filmes e atuava com merchandising.

Durante o processo, um dos advogados dos irmãos chegou a descrever Robert como um “parasita”, ao questionar a contribuição dele para a família durante os anos em que permaneceu na residência.

Disputa envolve promessa feita pelos pais

A morte de Irene sem um testamento válido tornou a situação mais complicada. O patrimônio passou a ser administrado por um profissional responsável pelo espólio, que considerou a necessidade de lidar com a propriedade e com os direitos dos três filhos.

Robert tentou impedir que a casa fosse tratada como um bem a ser simplesmente dividido entre os herdeiros. Ele argumenta que os anos dedicados aos pais e as escolhas feitas em razão da promessa de receber o imóvel deveriam ser considerados pela Justiça.

O administrador do espólio, por sua vez, tomou medidas para que Robert deixasse a residência. O homem contestou a determinação e entrou com a ação para tentar garantir o direito à propriedade.

A disputa não se limita ao valor da casa. O espólio também cobra de Robert quase £200 mil, cerca de R$1,3 milhão, referentes ao período em que ele permaneceu no imóvel depois de ser solicitado a deixá-lo.

Cuidados com a mãe também entraram no processo

Outro ponto discutido durante a audiência foi o quanto Robert realmente ajudou a mãe nos anos em que os dois viveram juntos.

Os irmãos afirmaram que Irene continuava realizando tarefas domésticas mesmo com o filho morando na residência. Segundo a versão apresentada no processo, ela ainda cozinhava e cuidava das próprias roupas.

A situação foi especialmente questionada por Marina, que afirmou ter ficado preocupada com as condições da mãe quando voltou a visitá-la em 2016. A acusação colocava em dúvida a alegação de Robert de que havia permanecido na casa principalmente para exercer a função de cuidador.

Robert negou essa interpretação. Ele afirmou que cuidava das roupas da mãe e preparava as refeições antes de sair para trabalhar, além de permanecer na residência justamente para ajudá-la.

Justiça ainda não decidiu quem ficará com a casa

O caso foi analisado pela Central London County Court. Depois de uma semana de audiência, o juiz Recorder Lawrence McDonald reservou a decisão para uma data posterior, portanto, ainda não havia uma sentença definitiva sobre o direito à propriedade quando o caso foi divulgado pelo The Independent.

A disputa coloca frente a frente três irmãos com versões diferentes sobre os últimos anos dos pais. Robert sustenta que abriu mão de oportunidades profissionais e permaneceu por décadas na casa para cumprir uma responsabilidade assumida com a família. Os irmãos contestam essa interpretação e defendem que o patrimônio seja tratado de acordo com as regras aplicáveis à sucessão sem um testamento válido.