Hábito comum que a maioria dos pais tem e que compromete sem querer a inteligência emocional dos filhos
Especialista alerta que hábitos comuns dos pais podem comprometer a autoestima e a inteligência emocional dos filhos.

A intenção de proteger os filhos é natural para a maioria dos pais, mas algumas atitudes consideradas comuns durante a criação podem produzir o efeito contrário e comprometer o desenvolvimento da inteligência emocional das crianças.
O alerta é do neuropsicólogo Álvaro Bilbao, especialista em Programação Neurolinguística e Disciplina Positiva, que aponta comportamentos cotidianos capazes de enfraquecer a autoestima, a confiança e a capacidade de enfrentar desafios ao longo da vida.
Autor do livro O cérebro da criança explicado aos pais, Bilbao afirma que educar de forma consciente não significa eliminar todas as dificuldades do caminho dos filhos, mas ajudá-los a desenvolver recursos emocionais para lidar com elas.
Segundo o especialista, pequenas mudanças na forma de educar podem fazer diferença no crescimento emocional das crianças.
Superproteção pode limitar o desenvolvimento emocional
Um dos principais erros apontados por Bilbao é tentar impedir que os filhos vivenciem qualquer tipo de frustração, tristeza ou dificuldade.
Embora essa atitude seja motivada pelo desejo de proteger, especialistas explicam que enfrentar emoções desagradáveis faz parte do desenvolvimento infantil.
Ao resolver imediatamente todos os problemas ou tentar impedir que a criança sinta desconforto, os pais acabam transmitindo a ideia de que emoções negativas devem ser evitadas e que o filho não é capaz de administrá-las sozinho.
Como consequência, a criança pode crescer com dificuldades para desenvolver resiliência e autonomia emocional.
Correções em público afetam a autoestima
Outro comportamento considerado prejudicial é repreender a criança diante de outras pessoas. Segundo Álvaro Bilbao, a orientação deve ser feita sempre que necessário, mas, de preferência, em um ambiente reservado.
Especialistas afirmam que a exposição pública durante uma bronca pode provocar sentimentos de vergonha, insegurança e diminuição da autoestima, além de prejudicar a confiança da criança em suas relações sociais.
Comparações prejudicam a autoconfiança
Frases como “seu irmão faz melhor” ou “olhe como seu colega se comporta” também merecem atenção. Bilbao destaca que comparar crianças entre si pode comprometer a construção da identidade e da confiança.
O especialista defende que cada criança possui seu próprio ritmo de desenvolvimento e que seu valor não deve ser medido em relação ao desempenho de outras pessoas.
Em vez das comparações, a recomendação é reconhecer o progresso individual e incentivar a evolução pessoal.
Valor não deve depender apenas das conquistas
Reconhecer boas notas, vitórias esportivas ou outras realizações é importante, mas especialistas alertam que elogiar exclusivamente os resultados pode levar a criança a acreditar que só será valorizada quando obtiver sucesso.
Bilbao afirma que os filhos precisam entender que possuem valor independentemente das conquistas.
O reconhecimento deve incluir esforço, dedicação, persistência e evolução, fortalecendo uma autoestima baseada na própria identidade e não apenas no desempenho.
Conversas difíceis também fazem parte da educação
Evitar temas considerados delicados, como sentimentos, perdas, responsabilidades e limites, pode dificultar o desenvolvimento emocional das crianças.
Segundo especialistas, quando esses assuntos deixam de ser discutidos dentro de casa, os filhos podem crescer sem confiança para compartilhar dúvidas ou pedir ajuda em momentos difíceis.
Bilbao ressalta que abordar esses temas de maneira adequada para cada idade contribui para o amadurecimento emocional e fortalece o vínculo entre pais e filhos.
Excesso de responsabilidades pode comprometer a infância
O neuropsicólogo também alerta para o risco de atribuir às crianças responsabilidades emocionais que pertencem aos adultos.
Situações em que os filhos se sentem responsáveis pelo bem-estar dos pais ou pelos problemas familiares podem comprometer seu desenvolvimento psicológico.
Embora seja importante incentivar pequenas responsabilidades compatíveis com a idade, especialistas destacam que a infância deve ser preservada para que a criança desenvolva suas habilidades emocionais de forma saudável.
Permitir que experimentem emoções, oferecer apoio sem excesso de proteção, evitar comparações e demonstrar afeto incondicional são atitudes que fortalecem a autoestima e contribuem para formar adultos mais seguros, resilientes e preparados para lidar com os desafios da vida.









