Ouça agora

Golpe do “saque fantasma” faz vítimas acreditarem que ganharam dinheiro em apostas, mas criminosos usam o Pix para retirar valores das contas de mais de 3 mil pessoas

Senhas e chaves administrativas estavam expostas no código público, o que permitiu acessar o banco de dados.


Por Clyverton Silva

02/10/2026 às 13h32

Golpe do “saque fantasma” faz vítimas acreditarem que ganharam dinheiro em apostas, mas criminosos usam o Pix para retirar valores das contas de mais de 3 mil pessoas
Foto ilustrativa: Eduardo Soares/Pexels

Uma investigação da ZenoX, empresa de cibersegurança, revelou uma rede de plataformas falsas de apostas que aplica um duplo golpe em usuários brasileiros. O relatório foi enviado com exclusividade ao TecMundo.

Os sites usam nomes como MAXXBET7K, MAXBTT7K e NEWWBET7K. A abordagem começa em redes como TikTok, Instagram e Telegram, com mensagens e vídeos que prometem transformar depósitos de 20 a 30 reais em ganhos de 2.000 a 3.000 reais em minutos. Depois do Pix, a vítima não consegue sacar o saldo.

A plataforma exige então uma taxa de liberação de 30 reais. A análise do código-fonte mostrou que a cobrança é uma fraude montada no navegador. Quando o sistema não consegue se comunicar com o provedor PixUp, gera um QR Code falso. A vítima paga, mas a verificação nunca é concluída e o saldo segue preso.

Ameaça não é um vírus ou malware tradicional

Conforme o TecMundo, a ameaça não é um vírus ou malware tradicional, e antivírus comuns não protegem. A estratégia usa engenharia social e manipulação do código da página. A investigação também encontrou falhas graves.

Senhas e chaves administrativas estavam expostas no código público, o que permitiu acessar o banco de dados. Em uma das páginas, a NEWWBET7K, havia um cadastro com dados de mais de 3,6 mil pessoas, incluindo nomes, e-mails, telefones, saldos fictícios e histórico de Pix.

Em outra base, dos domínios MAXXBET7K e MAXBTT7K, o painel interno registrava 107.519 reais em 415 contas. O levantamento mostrou que 92% dos depósitos eram de valores baixos e que 68% das transações ficaram pendentes, sem devolução.

Como o esquema não decorre de falha bancária, a devolução depende do Mecanismo Especial de Devolução, o MED 2.0. A ferramenta do Banco Central bloqueia os recursos na conta de destino e rastreia contas intermediárias.