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Gigante dos calçados perde 90% dos funcionários e fecha última fábrica após queda nas encomendas

Em 17 de julho de 2026, as linhas de produção da fábrica que o Grupo Dass mantinha em Eldorado, na província argentina de Misiones, pararam de funcionar…


Por Evellyn Nascimento

01/09/2026 às 14h49

Gigante dos calçados perde 90% dos funcionários e fecha última fábrica após queda nas encomendas
Foto: Divulgação/Grupo Dass

Em 17 de julho de 2026, as linhas de produção da fábrica que o Grupo Dass mantinha em Eldorado, na província argentina de Misiones, pararam de funcionar de forma definitiva. No período de maior atividade, o complexo chegou a ter 1.500 trabalhadores na folha de pagamento e uma capacidade de fabricação de cerca de 22 mil pares diários.

Na data do fechamento, apenas 150 trabalhadores permaneciam na unidade. Esse enxugamento veio na esteira de sucessivos anos em que os pedidos feitos por Nike e Adidas, principais clientes da unidade, foram diminuindo. A fábrica começou a operar em 2007, com oito colaboradores.

O crescimento foi rápido. Em 2015, a unidade operava com três turnos ininterruptos e já ocupava posição de destaque tanto na economia regional quanto no fornecimento à indústria esportiva da América Latina.

Trajetória da fábrica de Eldorado do auge ao encerramento

As quedas nas encomendas transformou a operação. A capacidade de uma estrutura dimensionada para fabricar dezenas de milhares de pares por dia despencou, enquanto a companhia iniciava cortes graduais de pessoal. Entre 2018 e 2019, já havia desligamentos e programas de saída voluntária, nos primeiros sinais de crise.

Novos investimentos recuperaram temporariamente parte das atividades, mas o ganho não se sustentou. Em janeiro de 2026, mais 43 funcionários deixaram a empresa. Naquele momento, representantes dos trabalhadores alertaram que os pedidos disponíveis permitiriam manter as operações apenas até meados do ano, e a previsão se confirmou meses depois.

Pressões externas e reorganização do grupo

Além da redução de encomendas, mudanças no comércio internacional ampliaram a entrada de calçados importados e reduziram ainda mais a demanda por produção local. Na mesma direção, representantes dos trabalhadores atribuíram o fechamento também à queda do consumo interno argentino, somada ao avanço dos produtos importados.

A combinação tornou a operação economicamente inviável, e o encerramento resultou de uma deterioração gradual ao longo de anos, e não de uma decisão abrupta.

Em janeiro de 2025, a Dass já havia fechado outra unidade, dedicada à fabricação de calçados da Adidas, situada em Coronel Suárez, na província bonaerense, com cerca de 360 funcionários. Somados, os dois fechamentos atingiram diretamente cerca de 510 postos de trabalho na Argentina.

Segundo o Grupo Dass, as indenizações previstas aos desligados serão pagas integralmente. No Brasil, a companhia mantém unidades industriais e produz para diferentes marcas do setor esportivo, mas a Argentina deixou de ser um centro de produção da empresa.