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Fruta pode fazer bem ao coração, mas estudo com 371 mil pessoas encontrou um detalhe que muda a forma como muita gente consome esse alimento no dia a dia

Frutas inteiras protegem mais o coração do que sucos porque mantêm as fibras que retardam a absorção de açúcar pelo organismo.


Por Bernardo Teixeira

04/10/2026 às 12h06

Fruta pode fazer bem ao coração, mas estudo com 371 mil pessoas encontrou um detalhe que muda a forma como muita gente consome esse alimento no dia a dia
Foto: Noemí Jiménez/Pexels

Incluir fruta inteira na alimentação diária está associado a menor incidência de pressão alta, colesterol elevado e problemas cardíacos. É o que aponta uma análise feita com dados de mais de 371 mil adultos nos Estados Unidos, publicada em setembro na revista Current Developments in Nutrition. Já quando a fonte era o suco de fruta, essa relação com a proteção do coração não apareceu nos números levantados pelos pesquisadores.

O contraste entre os dois formatos ajuda a explicar por que nem sempre comer mais frutas, de qualquer tipo, se traduz em ganhos perceptíveis para o coração.

Frutas exóticas frescas em exposição num mercado animado na Cidade do México, com destaque para mangas tropicais e muito mais.
Foto: Noemí Jiménez/Pexels

Por que a fruta inteira protege mais que o suco

Uma das principais hipóteses envolve as fibras. Presentes na fruta não processada, elas contribuem para tornar mais lenta a absorção de açúcar pelo organismo, efeito que se perde em grande parte quando a fruta é transformada em suco.

Compostos vegetais presentes nas frutas, caso dos polifenóis, também tendem a se comportar de forma diferente conforme o processamento, segundo os pesquisadores. Eles ponderam, no entanto, que essas substâncias não foram medidas diretamente no estudo, o que deixa a hipótese ainda sem confirmação.

Variedade colorida de sucos de frutas frescas em copos sobre um prato branco com frutas variadas.
Foto: Allan González/Pexels

Como as pessoas realmente consomem essas frutas

Os participantes do estudo comeram fruta inteira pouco mais de uma vez por dia em média. O suco, por sua vez, era ingerido com frequência bem menor, aproximadamente uma vez a cada três dias. Isso sugere que quem escolhe suco já naturalmente consome menos fruta do que quem come a versão integral.

Mesmo após levar em conta fatores como idade, renda, escolaridade e tabagismo dos participantes, a vantagem das frutas inteiras sobre o suco permaneceu visível nos dados. Os pesquisadores alertam que a análise mostra apenas uma relação entre consumo e saúde, não comprovando que uma coisa causa a outra.

A orientação agora segue em linha com o que endossam as diretrizes alimentares recentes: priorizar frutas inteiras no dia a dia é mais favorável para quem quer cuidar do coração do que depender de sucos.