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Filósofo explica a ideia de Platão que pode mudar a forma como você enxerga a felicidade: talvez estar realizado não signifique ter todas as respostas

A busca pela felicidade e a realização pessoal atravessam a existência humana, mas raramente alcançamos um estado de completude total. O filósofo…


Por Bernardo Teixeira

26/09/2026 às 16h08

Filósofo explica a ideia de Platão que pode mudar a forma como você enxerga a felicidade: talvez estar realizado não signifique ter todas as respostas
Foto: Anne O'Sullivan/Pexels

A busca pela felicidade e a realização pessoal atravessam a existência humana, mas raramente alcançamos um estado de completude total. O filósofo argentino Darío Sztajnszrajber reflete sobre como a filosofia nos ajuda a questionar continuamente aquilo que parecia garantido. Propondo que a verdadeira realização reside no desejo incessante de compreender, e não na posse final das respostas.

Quando perguntado sobre a felicidade, Sztajnszrajber afirmou, em entrevista exclusiva para o site LA NACION, que encontra algo de satisfação no presente, mas nunca acredita estar completamente realizado. Essa incompletude é precisamente aquilo que o move: a capacidade de questionar a si mesmo no momento em que se sente seguro demais sobre algo.

A filosofia como questionamento permanente

Uma das maiores dificuldades, segundo o filósofo, não é fazer filosofia quando tudo desaba, mas quando tudo funciona bem  quando a tendência é aceitar a realidade como ela se apresenta.

Nesse contexto, Sztajnszrajber cita uma definição célebre de Platão nobanquete: a filosofia é a busca por um conhecimento que sabemos nunca alcançaremos, mas que nos motiva a seguir adiante mesmo assim.

Essa perspectiva inverte a noção comum de felicidade como destino a ser alcançado. Em vez disso, a verdadeira realização emerge do processo contínuo de questionar, explorar e recusar aceitar a realidade do jeito que nos a vendem.

O filósofo destacou, em diálogo com LA NACION, que esse desejo de compreender, essa espécie de recuperação do espanto diante das coisas, é o que o realiza.

Um cientista examina fórmulas matemáticas e químicas em um quadro-negro.
Foto: Vitaly Gariev/Pexels

O desejo como força transformadora

Para Sztajnszrajber, a felicidade vincula-se à capacidade de expressar na vida aquilo que se deseja profundamente. Quando se pratica filosofia, esse desejo assume a forma de uma busca contínua pelo saber, alimentada pelo questionamento crítico.

O filósofo mencionou a chamada escola da suspeita, que reúne pensadores como Freud. Marx e Nietzsche, como uma ferramenta para abrir novas perspectivas sobre a realidade, revelando camadas que a visão superficial não alcança.

A narrativa comum sobre realização pessoal promete conclusões: encontrar a verdade, alcançar a felicidade, descobrir a outra metade. Mas a vida raramente funciona dessa forma, e Sztajnszrajber observou que mesmo quando alguém acredita ter atingido esses objetivos, algo permanece inquieto — uma sensação de que a completude nunca é completa.

Exercer narrativamente o desejo de questionar aquilo que existe, porém, é o que o realiza verdadeiramente, conforme informou a LA NACION.