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Exame feito com uma simples coleta de sangue chega ao Brasil e chama atenção por conseguir procurar sinais de mais de 50 tipos de câncer em uma única análise

O exame funciona como complemento aos rastreamentos já existentes, não como substituto deles, especialmente nas fases iniciais da doença.


Por Clyverton Silva

07/10/2026 às 21h02

Exame feito com uma simples coleta de sangue chega ao Brasil e chama atenção por conseguir procurar sinais de mais de 50 tipos de câncer em uma única análise
Foto ilustrativa: Ivan S/Pexels

Uma análise capaz de rastrear sinais de mais de 50 tipos de câncer a partir de uma única amostra de sangue começou a ser vendida no Brasil. O teste Galleri, criado pela empresa Grail, nos Estados Unidos, examina fragmentos de DNA que circulam na corrente sanguínea em busca de alterações ligadas a tumores.

A Genesis Genomics, parceria entre o Einstein Hospital Israelita e o Grupo Fleury, é a responsável por trazer a tecnologia ao país. A análise sai por R$ 6.990, precisa de pedido médico e não entra na cobertura de planos de saúde.

Como o sangue revela sinais de tumor

Ao contrário da biópsia tradicional, que retira um pedaço de tecido para investigação, o Galleri se enquadra na categoria de biópsia líquida: toda a busca acontece numa amostra de sangue. O corpo libera naturalmente fragmentos de DNA na circulação, e células com câncer fazem o mesmo, só que com marcas químicas diferentes das células saudáveis.

A tecnologia foca em padrões de metilação, um tipo de alteração química que interfere na atividade dos genes. Quando o resultado aponta algo suspeito, o sistema ainda estima qual órgão ou tecido pode ter originado aquele sinal, informação que orienta o médico na escolha dos exames seguintes.

Coleta no Brasil, análise nos EUA

A amostra é retirada em unidades do Einstein ou do Fleury, mas segue para os Estados Unidos, onde o laboratório da Grail faz o processamento. Depois da coleta, o resultado leva cerca de um mês para ficar pronto.

Um dos atrativos do método é a possibilidade de rastrear tumores para os quais ainda não existe estratégia de detecção precoce estabelecida, como os de pâncreas, fígado e ovário.

Limites e indicações do exame

De acordo com o Estadão, a precisão do teste tende a cair nas fases mais iniciais da doença, quando a quantidade de DNA tumoral solto na circulação ainda é pequena. Por isso, o exame funciona como complemento aos rastreamentos já existentes, não como substituto deles.

O exame é indicado para pessoas com 50 anos ou mais que não tenham sintomas sugestivos de câncer, já que a chance de desenvolver a doença cresce de forma mais acentuada depois dessa idade. Quem tem parentes com histórico da doença ou outros fatores de risco também pode ser avaliado para fazer o teste.