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Ex-cozinheiro começa tatuando apenas o nome do filho, cobre 90% do corpo e hoje recebe novas tatuagens até três vezes por semana após entrar para o Guinness Book


Por Matheus Chaves

22/09/2026 às 01h49

Ex-cozinheiro começa tatuando apenas o nome do filho, cobre 90% do corpo e hoje recebe novas tatuagens até três vezes por semana após entrar para o Guinness Book
Imagem: Reprodução/Instagram @ ephemeral__remy

O que começou em 2005 com uma pequena tatuagem do nome do filho no antebraço esquerdo acabou se transformando em um projeto que acompanha Jeremy Schofield há mais de duas décadas. Conhecido como Ephemeral Remy, o canadense deixou a cozinha, passou a trabalhar com o mercado de tatuagens e hoje tem pelo menos 90% da pele coberta por tinta. Algumas regiões do corpo receberam novas aplicações mais de 100 vezes, e o conjunto chegou a aproximadamente 40 camadas de tatuagem. Em setembro de 2026, essa trajetória levou o canadense ao Guinness World Records.

A primeira tatuagem tinha um significado familiar

A transformação não começou com a intenção de estabelecer um recorde mundial. O primeiro desenho de Remy foi bastante simples: o nome do filho, tatuado na parte interna do antebraço esquerdo.

Na época, ele já tinha interesse por modificações corporais e acumulava mais de 100 piercings. Ainda assim, segundo o próprio relato ao Guinness, não havia um plano inicial de cobrir praticamente todo o corpo.

A primeira camada de tatuagens foi surgindo gradualmente durante o início da vida adulta. Novos desenhos foram ocupando áreas diferentes e, posteriormente, passaram a ser colocados sobre trabalhos anteriores.

Esse processo fez com que a tatuagem deixasse de ser apenas um desenho isolado e se transformasse em uma forma contínua de modificar a própria aparência.

Como 90% do corpo ganhou novas camadas?

Ao longo dos anos, Schofield passou a trabalhar com diferentes artistas e a combinar estilos, cores e desenhos. Mais de 40 tatuadores já participaram da construção de sua arte corporal, segundo o Guinness.

Algumas imagens também têm relação com a própria história do canadense. Um dos desenhos centrais do torso, por exemplo, foi criado a partir de uma imagem que ele havia desenhado quando ainda era criança.

O corpo de Remy reúne elementos bastante diferentes entre si, incluindo rosas, criaturas marinhas, demônios, uma representação de Nosferatu e até um cachorro usando smoking. Em vez de seguir um único padrão visual, a composição foi sendo formada ao longo de diferentes fases de sua vida.

Em determinadas regiões, entretanto, a transformação foi muito além da simples adição de novos desenhos. A pele foi tatuada novamente várias vezes, fazendo com que algumas áreas acumulassem mais de 100 aplicações.

Guinness criou uma distinção importante entre dois recordes

A conquista de Remy exige uma explicação porque existe outro nome associado ao título de homem mais tatuado do mundo: Lucky Diamond Rich.

A diferença está no critério utilizado. Lucky mantém o recorde de maior cobertura total do corpo, com 100% da pele tatuada. Remy, por outro lado, foi reconhecido pelo Guinness na categoria de pessoa viva com mais tatuagens sobrepostas, entre homens.

Isso significa que a porcentagem de pele coberta não é o único fator considerado. No caso do canadense, o que tornou sua trajetória excepcional foi a quantidade de vezes que determinadas regiões foram novamente trabalhadas.

A própria organização explicou que, ao analisar os dois casos, identificou duas marcas diferentes que poderiam coexistir: uma relacionada à extensão da cobertura e outra à quantidade de camadas acumuladas.

Assim, Remy não substituiu simplesmente Lucky como se fosse uma disputa baseada no percentual de pele tatuada. Os dois passaram a ocupar categorias distintas dentro dos recordes do Guinness.

O recorde veio depois de anos de sessões

O reconhecimento não encerrou o processo. Pelo contrário: Schofield continua sendo tatuado mesmo depois de conquistar o título.

O canadense costuma programar sessões com três a seis meses de antecedência e atualmente passa por novas intervenções cerca de duas ou três vezes por semana. Ao longo de sua trajetória, já acumulou mais de mil horas sob a agulha.

A frequência ajuda a explicar por que o projeto ainda está em andamento mesmo com grande parte da pele já coberta.

Para Remy, a tatuagem não é tratada apenas como uma transformação estética concluída em determinado momento. Ele descreve o processo como algo contínuo, relacionado a aprendizado e evolução pessoal.

O próprio recordista também aconselha quem pretende começar a se tatuar a não tentar acelerar o processo. Para ele, transformar o corpo dessa maneira exige tempo e deve ser encarado como uma jornada, e não como algo que precisa ser concluído rapidamente.

Ex-cozinheiro trocou a gastronomia pelo universo das tatuagens

A transformação também aconteceu na vida profissional de Jeremy. Antes de dedicar boa parte de sua rotina ao universo da tatuagem, ele trabalhava como cozinheiro. Com o passar dos anos, deixou a gastronomia e passou a administrar estúdios de tatuagem e empresas relacionadas às redes sociais.

A mudança fez com que aquilo que inicialmente era uma atividade pessoal se aproximasse também de sua profissão.

Hoje, o corpo tatuado não é apenas parte da identidade de Remy. Ele também está inserido em um ambiente profissional no qual a modificação corporal, os artistas e a produção de conteúdo fazem parte de seu cotidiano.

O corpo virou um projeto que ainda não terminou

Mesmo depois de entrar para o Guinness, Remy não considera que sua transformação tenha chegado ao fim.

A agenda de tatuagens continua preenchida por meses, e novas sessões são realizadas durante a semana. Algumas partes do corpo ainda recebem desenhos, enquanto outras passam por novas camadas sobre trabalhos anteriores.

O canadense também não trata o recorde como algo que tenha sido planejado desde o início. Segundo seu relato ao Guinness, foi apenas entre 2019 e 2020 que outras pessoas começaram a perguntar se a quantidade de horas e camadas acumuladas poderia representar uma marca mundial. Por volta de 2022, ele já acreditava que seu histórico poderia se enquadrar em uma categoria de recorde. O reconhecimento só veio agora, em 2026, depois da avaliação do Guinness.