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Estudo revela uma mudança que poderia fazer o Bolsa Família reduzir mais a pobreza no Brasil e aponta qual grupo que deveria receber prioridade

O governo federal anunciou em 17 de setembro um aumento de 15,04% em todos os benefícios do Bolsa Família.


Por Clyverton Silva

30/09/2026 às 17h12

Estudo revela uma mudança que poderia fazer o Bolsa Família reduzir mais a pobreza no Brasil e aponta qual grupo que deveria receber prioridade
Foto: Gabriel Lyon/ MDS

Uma pesquisa do Centro de Liderança Pública aponta que concentrar o reajuste de 15% do Bolsa Família apenas em crianças e adolescentes poderia tirar mais brasileiros da pobreza extrema do que o aumento geral aplicado a todos os beneficiários.

Se os recursos fossem direcionados só aos jovens, 1,5 milhão de indivíduos poderiam sair da linha da pobreza extrema — 100 mil a mais do que com a distribuição uniforme anunciada em setembro. Essa diferença decorre da concentração da vulnerabilidade econômica.

Em lares com menores de idade, 8,5% da população vive abaixo da renda per capita mensal de R$ 238, enquanto nos domicílios compostos apenas por adultos esse Índice cai para 3%.

O padrão se repete também na pobreza intermediária, que considera renda per capita de até R$ 404 mensais: quando crianças ou adolescentes estão presentes, 25% dos moradores ficam abaixo desse limite, contra 13% nas casas só com adultos.

Por que as famílias com menores enfrentam maior vulnerabilidade

Essa disparidade reflete uma realidade estrutural do país. Famílias que incluem crianças e adolescentes tendem a ter mais membros e, com isso, a renda se distribui entre mais pessoas, amplificando a vulnerabilidade econômica de todos que vivem naquele domicílio.

No entanto, a pesquisa do Centro de Liderança Pública sugere que reajustes concentrados nessa população poderiam ser ainda mais efetivos na redução da pobreza extrema, porque é nesse grupo que se concentra a maior vulnerabilidade.

Como funcionam os valores anunciados em setembro

O governo federal anunciou em 17 de setembro um aumento de 15,04% em todos os benefícios do Bolsa Família, corrigindo a variação inflacionária acumulada entre março de 2023 e agosto de 2026. O reajuste começou a valer na folha de outubro, com pagamentos iniciados a partir de 19 de outubro. Com o aumento geral, o valor mínimo garantido por família passou de R$ 600 para R$ 691.