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Estudo revela que a fauna de Chernobyl é mais rica do que a de reservas naturais protegidas

Estudo mostra que Chernobyl abriga mais mamíferos que reservas próximas, indicando recuperação da fauna após décadas sem presença humana


Por Yasmin Henrique

05/06/2026 às 20h05

Estudo revela que a fauna de Chernobyl é mais rica do que a de reservas naturais protegidas

Quarenta anos após o desastre nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, a região voltou a chamar a atenção dos cientistas pela recuperação da vida selvagem. Um estudo publicado na revista Proceedings of the Royal Society B revelou que a Zona de Exclusão abriga hoje uma diversidade de mamíferos superior à encontrada em algumas reservas naturais próximas.

Após a explosão de um dos reatores da usina, em 1986, a área foi evacuada e permaneceu praticamente sem presença humana, tornando-se, ao longo das décadas, um importante refúgio para a fauna silvestre.

Fauna de Chernobyl

O estudo

  • Pesquisadores monitoraram cerca de 60 mil km² no norte da Ucrânia entre 2020 e 2021.
  • Foram registradas 31.200 ocorrências de 13 espécies de grandes mamíferos.
  • Cerca de 19.832 registros ocorreram dentro da Zona de Exclusão.

Principais conclusões

  • A diversidade e a frequência de mamíferos foram maiores em Chernobyl do que em reservas naturais próximas.
  • Os pesquisadores atribuem esse resultado principalmente à ausência de atividades humanas, como caça, agricultura e urbanização.
  • O estudo indica que áreas extensas e com pouca interferência humana podem favorecer a conservação da fauna.

Destaque para algumas espécies

  • Espécies encontradas: Lobos-cinzentos, cavalos-de-przewalski, linces-eurasiáticos, ursos-pardos, alces, javalis, cervos-vermelhos, cães-guaxinins e texugos-europeus.
  • Mais de mil registros de cavalos-de-przewalski foram identificados, indicando a recuperação da espécie.
  • Os lobos-cinzentos estão entre os maiores beneficiados pela recuperação ambiental e apresentam alta densidade populacional na região.

Radiação e adaptação

  • A pesquisa não avaliou diretamente os efeitos biológicos da radiação sobre os animais.
  • Estudos recentes apontam possíveis adaptações genéticas e imunológicas em lobos expostos ao ambiente contaminado.
  • Nematoides encontrados na região também demonstraram elevada resistência aos danos causados pela radiação.

Monitoramento continua necessário

  • Os cientistas alertam que a radiação ainda representa riscos ambientais.
  • O acompanhamento de longo prazo é considerado fundamental para entender os impactos da contaminação e preservar a biodiversidade local.

Paradoxo ecológico

O caso de Chernobyl revela um dos maiores paradoxos ecológicos da atualidade. Embora continue sendo uma das áreas mais contaminadas do planeta, a região tornou-se um importante laboratório natural para o estudo da recuperação ambiental.

Os resultados sugerem que, para muitas espécies, a ausência prolongada da atividade humana teve papel mais determinante na recuperação da fauna do que os efeitos negativos da radiação observados em escala populacional.