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Estudo com mais de 95 mil pessoas revela que quem passa mais tempo sonhando durante o sono apresenta menor risco de ter algumas dessas doenças

Um levantamento foi conduzido por pesquisadores da Universidade de Pequim e da Capital Medical University. A pesquisa usou dados de 95.559 participantes.


Por Clyverton Silva

30/09/2026 às 11h04

Estudo com mais de 95 mil pessoas revela que quem passa mais tempo sonhando durante o sono apresenta menor risco de ter algumas dessas doenças
Foto ilustrativa: Polina/Pexels

Dormir o número certo de horas por noite não garante proteção contra doenças futuras: o que conta também é a etapa do descanso em que o corpo passa mais tempo.

Um levantamento conduzido por pesquisadores da Universidade de Pequim e da Capital Medical University, na China, associou o sono REM — fase em que os sonhos acontecem — a um risco reduzido de 83 doenças diferentes. A pesquisa usou dados de 95.559 participantes do UK Biobank, banco de informações de saúde do Reino Unido.

Entre os voluntários que passaram mais tempo nessa etapa, o menor risco foi observado em doenças do coração, do cérebro e do sistema nervoso.

Como o cérebro passa pelas etapas do sono

Essa etapa costuma começar cerca de 90 minutos depois que a pessoa pega no sono, repetindo-se em ciclos ao longo da noite. Ela ocupa entre 20% e 25% do tempo total de descanso, enquanto o restante se divide entre sono leve e profundo.

Quem acorda cedo demais acaba perdendo justamente os ciclos mais longos dessa etapa, concentrados na segunda metade da noite. Para captar esse padrão, os participantes usaram sensores de pulso durante sete dias seguidos, que permitiram mapear a duração de cada estágio. Os despertares noturnos e a irregularidade do descanso ao longo da semana.

Doenças com menor risco associado

O acompanhamento dos voluntários durou cerca de nove anos, tempo suficiente para cruzar os dados de sono com mais de 1.000 condições de saúde distintas. Cerca de 48 minutos a mais nessa etapa do sono foram associados a um risco 26% menor de insuficiência cardíaca, 46% menor de demência e 80% menor de Parkinson.

O sono profundo também foi associado a menor risco: quem passava mais tempo nesse estágio teve menos chance de desenvolver sete condições, entre elas diabetes tipo 2 e depressão maior.

Já a irregularidade nos horários de dormir e os despertares frequentes durante a noite foram associados a um risco maior de ansiedade e de transtornos relacionados ao uso de substâncias.

Os próprios pesquisadores fazem uma ressalva importante: o desenho observacional do trabalho identifica associações, não relações de causa e efeito. Ainda não dá para afirmar que aumentar deliberadamente o tempo de sono REM previna, sozinho, qualquer uma das 83 condições mapeadas no estudo.