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Especialista explica o que os furinhos no queijo branco realmente revelam sobre o alimento

Especialista explica quando os furinhos no queijo são normais e revela sinais que podem indicar contaminação ou alterações no alimento.


Por Leticia Florenco

19/07/2026 às 17h05

Especialista explica o que os furinhos no queijo branco realmente revelam sobre o alimento
Queijo - Reprodução/Unsplash/Wagner Vilas

Presente diariamente na alimentação de milhões de brasileiros, o queijo é um dos produtos mais consumidos do país.

Seja no café da manhã, em receitas ou como acompanhamento de refeições, o alimento conquistou espaço pela variedade de tipos, sabores e texturas disponíveis.

Entre as características que mais chamam atenção estão os chamados “furinhos”, conhecidos tecnicamente como olhaduras.

Em alguns queijos, como emmental, gruyère, gouda, maasdam e queijo prato bola, essas cavidades fazem parte do processo natural de produção e são consideradas uma marca registrada do produto.

Porém, quando os mesmos sinais aparecem em queijos que normalmente possuem massa mais uniforme, como alguns tipos de queijo branco, a situação pode exigir atenção.

Segundo especialistas, os furinhos podem estar relacionados tanto a processos naturais de fermentação quanto ao crescimento de microrganismos indesejáveis.

Furos fazem parte da identidade de alguns queijos

As olhaduras surgem durante a fermentação do queijo, quando bactérias utilizadas na fabricação produzem gases que ficam presos na massa do alimento.

Esse processo ocorre principalmente durante a maturação e ajuda a desenvolver características específicas de sabor, aroma e textura.

Nos queijos em que os furos são esperados, eles indicam que o processo de fabricação ocorreu dentro do padrão. A presença dessas cavidades, nesses casos, não representa um problema e faz parte da identidade do produto.

É justamente esse fenômeno que cria a aparência característica de determinados queijos conhecidos mundialmente.

Quando os furinhos podem indicar alteração no alimento

A preocupação aparece quando as olhaduras surgem em produtos que normalmente não apresentam muitas cavidades internas.

O médico patologista André Mario Doi, coordenador médico do setor de Biologia Molecular e Técnicas Especiais do Laboratório do Hospital Israelita Albert Einstein e membro da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML), explica que os furinhos também podem estar relacionados à presença de microrganismos.

Segundo o especialista, o consumidor deve ficar atento principalmente quando as cavidades aparecem acompanhadas de outras alterações no queijo. Entre os sinais de alerta estão:

  • Muitos furinhos em um tipo de queijo que normalmente não apresenta essa característica;
  • Cavidades grandes, numerosas ou com formatos irregulares;
  • Embalagem estufada;
  • Mudanças no cheiro, sabor ou textura;
  • Alteração na coloração do alimento.

Esses sinais podem indicar falhas durante a fabricação, armazenamento inadequado ou contaminação após o processamento.

Bactérias e fermentações indesejadas podem modificar o queijo

Alguns microrganismos são capazes de produzir gases dentro do alimento, causando mudanças na estrutura do queijo.

Entre eles estão bactérias do grupo dos coliformes, que podem indicar problemas relacionados à higiene durante a produção ou contaminação em alguma etapa do processo.

Outro caso conhecido é o chamado estufamento tardio, associado a espécies do gênero Clostridium. O problema pode provocar grandes espaços vazios dentro do queijo, rachaduras e alterações no odor.

Apesar dos riscos associados a determinados microrganismos, especialistas reforçam que a presença de furinhos isoladamente não confirma uma contaminação perigosa.

A avaliação depende de uma análise completa das características do produto e, quando necessário, de exames microbiológicos.

Queijo com aparência diferente deve ser avaliado antes do consumo

Para o consumidor, a recomendação é observar além da presença dos buracos. Um queijo seguro deve manter as características esperadas para aquele tipo específico.

Caso o produto apresente cheiro desagradável, textura incomum, embalagem alterada ou sabor diferente do habitual, o ideal é evitar o consumo. Especialistas orientam que, diante de uma suspeita:

  • O produto não deve ser ingerido;
  • A embalagem deve ser preservada para identificação do lote;
  • O fabricante deve ser informado;
  • O consumidor pode solicitar substituição ou reembolso, quando aplicável.

Se houver sintomas após o consumo, como vômitos, diarreia, febre ou dor abdominal, é recomendado buscar orientação médica.

Controle de qualidade busca evitar problemas na produção

A fabricação de queijos no Brasil passa por fiscalização de órgãos como o Ministério da Agricultura e Pecuária, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e serviços estaduais e municipais de inspeção.

Além disso, muitas empresas adotam sistemas de controle como o APPCC (Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle), utilizado para identificar riscos e prevenir falhas em todas as etapas da produção.

Essas medidas ajudam a garantir que o produto chegue ao consumidor dentro dos padrões de segurança alimentar.