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Empresa brasileira adotou semana de quatro dias há seis anos e afirma que funcionários não precisam viver somente para trabalhar

Há seis anos, o setor administrativo da Louie segue um esquema de quatro dias fixos de expediente, com as demandas de trabalho concentradas entre segunda…


Por Evellyn Nascimento

12/09/2026 às 09h19

Empresa brasileira adotou semana de quatro dias há seis anos e afirma que funcionários não precisam viver somente para trabalhar
Foto: Reprodução/Bruno Tatsumi (UIWD)/Forbes

Há seis anos, o setor administrativo da Louie segue um esquema de quatro dias fixos de expediente, com as demandas de trabalho concentradas entre segunda e quinta-feira. A sexta-feira fica livre para que os funcionários possam cuidar de questões particulares.

Quem implementou a mudança foi Livia Ribeiro, fundadora da marca. Em participação no videocast Divã de CNPJ, do Canal UOL, ela defendeu que os funcionários devem ter espaço na rotina para cuidar da própria vida, não apenas do trabalho. “As pessoas têm que ter qualidade de vida”, afirmou.

O formato vale somente para o setor administrativo. Na fábrica, o expediente segue sendo de cinco dias de trabalho por dois de descanso, a tradicional escala 5×2.

Como funciona a semana de quatro dias?

O modelo adotado pela empresa concentra as atividades entre segunda e quinta-feira. A equipe trabalha com foco nesses quatro dias, sem deixar entregas e demandas para depois, mantendo o compromisso com os prazos.

A dinâmica também se apoia na confiança entre empresa e funcionários. Ribeiro permite saídas pontuais durante a semana para consultas médicas, reuniões escolares e outros compromissos, desde que o trabalho esteja em dia.

Para a empresária, a entrega final importa mais do que o controle de presença. A proposta é organizar a rotina de modo que os funcionários consigam cumprir suas responsabilidades profissionais sem deixar de lado as necessidades pessoais.

Um dia a mais de descanso muda a rotina

A sexta-feira livre permite que os funcionários resolvam pendências que normalmente seriam acumuladas durante a semana e tenham mais tempo para descansar. Alguns aproveitam o dia para ficar com os filhos, cuidar de familiares ou realizar atividades pessoais.

Ribeiro atribui à escala um efeito positivo sobre a rotina da equipe. Segundo ela, os funcionários retornam ao trabalho em melhor estado mental, o que pode refletir no desempenho durante os quatro dias de expediente.

A experiência da Louie também se conecta a testes realizados em outros países. No Reino Unido, empresas participaram de uma experiência com a semana de quatro dias que apresentou resultados positivos em produtividade e bem-estar. Na Islândia, testes com jornadas reduzidas também registraram manutenção ou aumento da produtividade em grande parte dos locais avaliados.

Em que ponto está o fim da escala 6×1 no Brasil?

A experiência da empresa acontece enquanto o Brasil discute mudanças na jornada de trabalho. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que prevê o fim da escala 6×1, avançou no Congresso.

Em 2 de setembro, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou a proposta. O texto prevê dois dias de descanso remunerado por semana e redução gradual da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial.

A proposta ainda precisa passar pelo plenário do Senado em dois turnos. A votação, no entanto, foi adiada após uma obstrução da oposição e deve ocorrer depois das eleições de 2026, segundo o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

Para Ribeiro, uma mudança na jornada também exigiria reorganização dos turnos em setores que precisam funcionar durante toda a semana. Nesses casos, empresas poderiam precisar contratar mais funcionários para garantir a continuidade das atividades.

A experiência da Louie mostra uma alternativa que já vem sendo aplicada há seis anos no Brasil, enquanto o país debate uma possível mudança nas regras de jornada e o fim da escala 6×1.