Ele fugiu de um casamento para virar monge, no ano de 1134, e sua busca por solidão acabou dando origem a um mosteiro que existe até hoje
O mosteiro continua ativo até hoje, preservando as relíquias do santo e uma pequena parte do manuscrito que ele próprio escreveu.

São Neófito, o Recluso, também chamado de São Neófito de Chipre, nasceu em 1134 na aldeia de Kato Drys, perto de Lefkara, no distrito de Larnaca. Era um dos oito filhos de uma família de proprietários rurais modestos. Seu nome de batismo não aparece confirmado nas fontes, mas ele nunca é citado de outra forma. O nome Neófito vem do grego e designa alguém recém-batizado ou recém-iniciado, o que carrega forte simbolismo religioso.
Em seus escritos, ele contou que os pais esperavam que trabalhasse na terra e, por isso, não o mandaram estudar em Lefkara. Ele se queixava de ter sido deixado analfabeto.
Após ficar noivo, fugiu para o Mosteiro de São João de Koutsoventis, ato visto como vergonha para as duas famílias. Parentes o encontraram e o levaram de volta à força. Ele então convenceu a família a desfazer o noivado e, em 1152, voltou ao mosteiro, onde o abade o tonsurou imediatamente como monge.
Isolamento
A rotina monástica, porém, lhe parecia agitada e dispersiva para o espírito. Ele buscava uma prática ascética mais isolada e pediu autorização para viajar às Terras Santas, onde permaneceu seis meses.
De volta a Chipre, percorreu a ilha em busca de solidão e acabou se instalando em uma caverna natural em Pafos. São Neófito aprofundou a gruta e mandou decorá-la com afrescos feitos por artistas habilidosos, seguindo suas próprias instruções, inclusive com retratos dele feitos em vida.
Foi nessa caverna que passou o restante da vida, escreveu entre 30 e 40 obras e foi sepultado após morrer em algum momento depois de 1214. A gruta decorada, chamada Enkleistra, palavra que significa local de enclausuramento, deu origem a uma comunidade de discípulos.
Por 350 anos, eles viveram nas cavernas e, em 1503, ergueram a grande igreja e o novo mosteiro em frente à Enkleistra. O mosteiro continua ativo até hoje, preservando as relíquias do santo e uma pequena parte do manuscrito que ele próprio escreveu.








