Ela trabalhava havia mais de 12 anos no banco e tinha acesso às contas dos clientes, mas investigação aponta que dinheiro de idosos começou a desaparecer e casal acabou preso
Gerente e namorado seguem em prisão preventiva após audiência realizada no dia 29 de setembro.

Com mais de 12 anos de casa, Vanessa Gonçalves Miranda, gerente do Santander em Miguelópolis, de 40 anos, acabou presa no dia 28 de setembro. Ela é apontada como suspeita de ter tirado R$ 2,1 milhões de clientes em situação vulnerável, em sua maioria pessoas idosas que estavam sob curatela.
Seu namorado, Adilson Coelho de Paula, de 56 anos, acabou detido junto com ela, sendo alvo das investigações sobre furtos aplicados contra idosos e pessoas vulneráveis no período entre 2024 e 2025. Além disso, Adilson responde a um processo por agressão contra Vanessa: o Ministério Público formalizou a denúncia em agosto de 2026, referente a um episódio que teria ocorrido em 21 de dezembro de 2025.
Segundo a denúncia, ele teria agredido a mulher com chutes, empurrões e enforcamento depois de visualizar uma mensagem no celular. Adilson também teria apontado uma pistola Taurus calibre .380 para a vítima e a ameaçado de morte. A arma tinha 15 cartuchos intactos, e vanessa acionou a polícia e solicitou medidas protetivas da Lei Maria da Penha.
A investigação apontou um esquema que funcionava entre 2024 e 2026, com saques indevidos, empréstimos fraudulentos não autorizados e transferências bancárias para contas que não pertenciam aos clientes prejudicados. O casal segue em prisão preventiva após audiência realizada no dia 29 de setembro.

Como o desvio ocorria
Vanessa Gonçalves Miranda aproveitava seu cargo de gerente para acessar contas de clientes com pouca familiaridade com aplicativos bancários e realizar transações sem autorização.
Em uma das vítimas, o prejuízo chegou a R$ 1.765.884,23. Uma idosa de 78 anos teve a conta zerada e descobriu o desaparecimento de cerca de R$ 300 mil quando foi ao banco sacar dinheiro após um transplante de córnea.
O namorado, Adilson Coelho de Paula, recebia e movimentava os valores através da sua conta pessoal e também da empresa Adilson Coelho de Paula ME. As operações incluíram o que investigadores chamam de transferências trianguladas, repasses simulados como supostos pagamentos de salários e serviços, e repetidas retiradas de quantias altas em dinheiro, feitas sempre dentro da mesma agência.
Há indícios de que os valores desviados foram distribuídos em contas de terceiros e casas de jogos e apostas para parecerem rendimentos lícitos.
Investigação e posicionamento das partes
O banco Santander afirmou que, desde que as investigações começaram, seu setor de inteligência vem auxiliando a Polícia Civil de São Paulo no trabalho de apurar os fatos e identificar os responsáveis. A instituição garantiu que nenhum cliente terá prejuízo financeiro e que todas as vítimas serão ressarcidas pelos valores desviados.
Policiais civis de Miguelópolis. Com apoio de equipes da Seccional de Franca, prenderam o casal em cumprimento a mandados expedidos pela Vara Regional das Garantias da 6ª Região Administrativa Judiciária, com sede em Ribeirão Preto. A defesa de Adilson informou que ele comprovará nos autos sua inocência em todas as acusações, que considera infundadas.
Vanessa foi demitida do banco, e a defesa alegou que ela tem vício em jogos de apostas online. Ela também tem laudos de depressão e síndrome de burnout, mas sua defesa não foi localizada para comentar o caso.









