Ela tinha apenas uma sala, R$ 160 de faturamento em um mês e uma filha para criar, mas seguiu trabalhando e transformou o pequeno salão em negócio de 30 anos
O salão de beleza que Salete Foschiera comanda atualmente atrai um público que vem de diferentes municípios do oeste catarinense. Aos 62 anos, ela segue…

O salão de beleza que Salete Foschiera comanda atualmente atrai um público que vem de diferentes municípios do oeste catarinense. Aos 62 anos, ela segue na ativa de segunda a sábado, e não esquece dos tempos em que uma única sala alugada precisava ser, ao mesmo tempo, seu local de trabalho e sua casa, há trinta anos.
A rotina atual contrasta com aquele período de escassez extrema. Com a filha Nayara para criar sozinha, Salete não contava com outro recurso além da própria disposição, e chegou a emendar 18 horas seguidas de trabalho por dia. Ela não parava nem aos domingos e feriados, sustentando esse ritmo pesado por cerca de dois anos e meio enquanto o negócio ainda dava os primeiros passos.

Os primeiros passos antes do salão
A trajetória de Salete na beleza começou bem antes de abrir o salão. Adolescente, fazia as unhas de vizinhas da mãe um hobby que, sem saber, a apontava para a profissão que definiria sua vida. Essa habilidade inicial abriu portas para experiências variadas que viriam nos anos seguintes.
Como balconista de loja de roupas, seu único emprego com carteira assinada, ela aprendeu lições sobre vendas e relacionamento com clientes. Depois comercializava produtos de limpeza de porta em porta, e aos sábados e sextas-feiras atuava como manicure enquanto, durante a semana, percorria casas vendendo artigos de enxoval.
Naquele primeiro mês como vendedora de enxoval, conseguiu vender 85 cobertores, um resultado que a impressiona até hoje.
O medo que se transformou em força
A experiência como manicure despertou em Salete a vontade de expandir seus conhecimentos. Ela se matriculou no curso de cabeleireira do Senac em Chapecó, com aulas no período noturno enquanto continuava trabalhando durante o dia. Esse foi seu primeiro investimento formal em uma profissão que, a partir de então, sustentaria sua família.
Cortar cabelos inicialmente a assustava. Durante uma aula prática, quando precisou cortar o cabelo da diretora do Senac, o medo quase a paralisou, mas tudo correu bem e a experiência venceu a insegurança. Sem esperar terminar o curso, alugou uma sala e abriu o próprio negócio, mesclando moradia e trabalho no mesmo espaço apertado.

Da improvisação ao reconhecimento regional
As primeiras clientes eram mulheres que a conheciam do tempo em que trabalhava como manicure, relações construídas com paciência. Gradualmente ampliou os serviços disponíveis. Em um dos primeiros meses, o faturamento foi de apenas R$ 160, enquanto o aluguel custava R$ 200, um valor que reflete as dificuldades daquele período inicial.
Durante essa fase de luta financeira, Salete dormiu em colchão no chão por aproximadamente um ano após a separação, mas não desistiu. O microcrédito foi decisivo para alavancar o negócio, em 2004, contraiu o primeiro empréstimo no valor de R$ 1,5 mil. De lá para cá, já passou por 17 operações de crédito, usadas tanto para melhorar sua qualidade de vida quanto para dar giro no salão, incluindo compra de mercadorias, aquisição de móveis, decoração e reformas no espaço.
Ao longo das três décadas seguintes, o pequeno espaço evoluiu para um negócio com mais de 200 clientes distribuídas pela região. Além de cabeleireira, Salete comercializa roupas e lingeries, resgatando aquela antiga habilidade de vendedora. A rotina permanece intensa, ela trabalha de segunda a sábado, às vezes atende clientes nos três turnos.
Hoje, aos 62 anos, ela olha para aquela época com o reconhecimento de quem venceu as dificuldades. Criou sua filha Nayara com o fruto do próprio esforço: formada em pedagogia, ela passou em concurso público e hoje comanda uma creche no município. Salete também construiu uma clientela leal e regional e transformou o improviso em estabilidade através de trabalho persistente.









