Ela pagou menos de R$ 400 por uma pequena escultura em um bazar de garagem, mas anos depois especialista descobriu o verdadeiro valor da peça e ela acabou vendida por cerca de R$ 10 milhões
Classificação, somada às características raras da peça, ajuda a entender a distância entre o preço pago originalmente e o valor alcançado em pregão.

Uma peça de arte budista arrematada em uma venda de garagem rendeu US$ 2,06 milhões em pregão da Sotheby’s, valor que passa de R$ 10 milhões na conversão atual. A peça representa Cintamanicakra Avalokiteshvara e ficou décadas guardada antes de ter seu valor histórico reconhecido.
Duas décadas atrás, a proprietária desembolsou menos de R$ 400 pelo objeto, sem ter ideia do que realmente havia adquirido. Só depois de submeter a escultura a uma avaliação especializada durante o programa de TV Antiques Roadshow, realizado na cidade norte-americana de St. Louis, é que a verdadeira relevância da obra veio à tona.
A escultura foi oferecida em Nova York, no leilão de Arte Chinesa Importante da Sotheby’s, com estimativa inicial entre US$ 600 mil e US$ 800 mil. Depois de uma disputa de sete minutos entre interessados, o valor final superou em muito a estimativa inicial, conforme informou o site The Times of India.
Uma divindade budista rara em bronze
A escultura de bronze dourado mede 16,5 centímetros de altura e representa Avalokiteshvara, uma das divindades mais populares do budismo chinês. A divindade também é conhecida como Guanyin. Segundo a Sotheby’s, aparece em diferentes formas ao longo da história, moldadas pela expansão do budismo na China e pela tradução de diversos sutras.
A peça leiloada retrata uma variação menos comum da divindade, chamada Cintamanicakra, com seis braços que sustentam objetos simbólicos. Uma mão segura o cintamani junto ao peito, outra ergue o chakra, e uma terceira apoia o caule de lótus. As demais mãos seguram um mala, o rosário usado na prática budista.
Origem que explica o valor alcançado
A Sotheby’s classificou a obra como pertencente ao período final da dinastia Tang, entre 618 e 907, ou ao período das Cinco Dinastias. Essa classificação, somada às características raras da peça, ajuda a entender a distância entre o preço pago originalmente e o valor alcançado no pregão.
A venda da Cintamanicakra Avalokiteshvara foi um dos pontos altos da temporada de leilões de arte chinesa promovida pela casa em Nova York. A raridade, o estado de conservação e o vínculo com dinastias históricas ajudam a explicar a disputa entre colecionadores por peças desse tipo nos grandes leilões internacionais de arte.









