Depois de anos construindo uma carreira, trabalhadores mais velhos podem enfrentar uma dificuldade inesperada no mercado, aponta pesquisa com empresas brasileiras
Levantamento mostra que a longevidade entrou no debate empresarial, mas ainda é tratada de forma desarticulada.

Profissionais com mais de 60 anos enfrentam barreiras nas empresas brasileiras, apesar da experiência acumulada ao longo de décadas. Uma pesquisa inédita da Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV) com 110 organizações que empregam aproximadamente 530 mil trabalhadores revelou que 70% delas reconhecem obstáculos relacionados à idade no ambiente de trabalho.
O levantamento mostra que a longevidade entrou no debate empresarial, mas ainda é tratada de forma desarticulada. Apenas 7,3% das companhias integram o tema à estratégia organizacional, enquanto 38,2% nunca o discutiram formalmente.
Onde a idade realmente impacta
Em 20% das organizações, o fator geracional prejudica as chances de contratação, progressão na carreira ou aprimoramento técnico. Outros 50% apontam que essa barreira existe, mas apenas em determinadas áreas ou contextos da empresa.
Poucas empresas adotam iniciativas para atrair, manter e desenvolver profissionais acima de 60 anos. Somente 18,2% das participantes têm ações voltadas a esse público. Entre as iniciativas existentes, predominam a prevenção e a promoção da saúde, abordagens que não enfrentam a causa do problema.
A falta de conhecimento é o principal entrave, citado por 44,5% dos respondentes. Em seguida, aparecem a baixa priorização institucional ou a falta de apoio da liderança (33,6%), os preconceitos e as generalizações sobre capacidade (21,8%) e a resistência enraizada na cultura corporativa (18,2%).
Como os dados foram coletados
O estudo foi realizado nos últimos dois meses com um questionário eletrônico respondido por profissionais de recursos humanos, gestores intermediários e dirigentes.
As 110 organizações são dos setores de indústria (22,7%), alimentos e bebidas (21,8%), agronegócio (9,1%) e educação (9,1%). Predominam empresas de médio e grande porte, especialmente as que têm entre 1 mil e 5 mil funcionários ou mais de 5 mil.









