Ouça agora

Depois das eleições, motoristas podem sentir mudanças no bolso e cinco decisões sobre impostos, combustíveis, pneus e pedágios prometem mexer com o custo de ter um carro no Brasil

Motoristas precisam se preparar para reajustes que podem chegar até 2027, com impactos imediatos já a partir de outubro deste ano.


Por Clyverton Silva

12/10/2026 às 16h32

Depois das eleições, motoristas podem sentir mudanças no bolso e cinco decisões sobre impostos, combustíveis, pneus e pedágios prometem mexer com o custo de ter um carro no Brasil
Foto: Sachu Zayn/Pexels

Duas mudanças já têm data certa e vão afetar diretamente quem dirige. Em 1º de janeiro de 2027, o Imposto de Importação para peças e veículos em CKD sobe para 35%. Em 17 de novembro, termina o período de transição do Contran para o pedágio eletrônico sem barreira, o Free Flow.

Até 16 de novembro, os motoristas ainda podem quitar passagens pendentes sem penalidades. Depois dessa data, o condutor tem 30 dias após a passagem pelo pórtico para pagar. Se o prazo vencer, a inadimplência volta a ser punida como infração grave por evasão de pedágio, com multa e 5 pontos na CNH.

Imposto Seletivo

As outras três medidas ainda dependem de decisão do governo. O Imposto Seletivo, criado pela reforma tributária para taxar produtos nocivos à saúde e ao meio ambiente, ainda não teve as alíquotas definidas. A cobrança vai variar conforme potência, eficiência energética, reciclabilidade, pegada de carbono, densidade tecnológica e percentual de fabricação nacional.

A medida provisória que regulamenta o tributo foi adiada, e por causa da noventena o imposto não entra em vigor em 1º de janeiro de 2027. A estimativa é que comece a valer em fevereiro, com arrecadação em março. O atraso causa perda inicial de 3,8 bilhões de reais e tira das montadoras a previsibilidade para precificar os carros.

Combustíveis

Nos combustíveis, o governo reduziu em setembro as alíquotas de PIS e Cofins da gasolina em 0,63 real por litro e zerou temporariamente as contribuições do etanol hidratado. O benefício valia até outubro.

Agora, o governo precisa decidir se prorroga a desoneração, adota outro mecanismo ou retoma a cobrança integral. No diesel, foi adotada uma subvenção econômica para produtores e importadores, com valor de referência em 2,12 reais por litro. A continuidade ou o fim dessa ajuda mexe no custo do transporte e no preço final do abastecimento.

Pneus importados

Os pneus importados para carros de passeio pagam 25% de Imposto de Importação. A Anip pede aumento para 35%. O pedido está em pauta no Gecex para o fim de outubro. Os fabricantes nacionais defendem a medida para proteger a produção local. A Abidip alerta que a alíquota maior encarece a manutenção dos carros no mercado de reposição. As montadoras que importam veículos desmontados para montagem no Brasil terão novas regras.