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De 36,6 milhões para 61,5 milhões: população idosa do Brasil deve crescer ainda mais nas próximas décadas, enquanto 8 em cada 10 idosos já dependem do SUS

Cenário exige mais do que medicamentos e consultas, e os serviços precisam ser reorganizados para garantir autonomia e qualidade de vida a essa população crescente.


Por Clyverton Silva

02/10/2026 às 16h25

De 36,6 milhões para 61,5 milhões: população idosa do Brasil deve crescer ainda mais nas próximas décadas, enquanto 8 em cada 10 idosos já dependem do SUS
Foto ilustrativa: Kampus Production/Pexels

O Brasil já tem 36,6 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, segundo dados de 2025 do Ministério da Saúde. Em duas décadas, esse número deve ultrapassar os 61,5 milhões, com efeitos sobre a saúde pública, a assistência social e a previdência.

Esse envelhecimento coloca o sistema público sob pressão imediata: aproximadamente 81,4% dos idosos brasileiros dependem exclusivamente do Sistema Único de Saúde. O cenário exige mais do que medicamentos e consultas, e os serviços precisam ser reorganizados para garantir autonomia e qualidade de vida a essa população crescente.

Um fenômeno que ultrapassa fronteiras

A transformação demográfica brasileira faz parte de um movimento global. A Organização das Nações Unidas aponta que praticamente todas as nações enfrentam aumento tanto no número quanto na proporção de pessoas envelhecidas. Até meados de 2080, o planeta terá mais adultos com 65 anos ou mais do que crianças menores de 18 anos.

As estimativas indicam 265 milhões de pessoas com 80 anos ou mais em 2030. Esse contexto global exige que os países preparem os sistemas de saúde e fortaleçam políticas públicas para proteger a população idosa, incluindo redes de suporte comunitário e familiar.

Impacto econômico e fiscal

O envelhecimento da população traz consequências diretas para a economia. A redução proporcional de pessoas em idade ativa afeta a força de trabalho e a arrecadação de impostos, aumentando a pressão sobre os sistemas de previdência. A demanda por cuidados de longo prazo, desde atendimento domiciliar até internações, tende a elevar os gastos públicos e privados.

Serviços hospitalares, medicamentos e profissionais especializados são alguns dos componentes da rede de cuidados pressionados por essa transição demográfica.