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Criminosos usavam rostos e vozes de famosos criados por IA para convencer vítimas a doar dinheiro: investigação aponta golpe de R$ 10 milhões

Cinco suspeitos foram presos em operação que apreendeu veículos de luxo e criptomoedas no valor de aproximadamente R$ 2,14 milhões.


Por Bernardo Teixeira

29/10/2026 às 17h31

Criminosos usavam rostos e vozes de famosos criados por IA para convencer vítimas a doar dinheiro: investigação aponta golpe de R$ 10 milhões
Foto: Matias Mango/Pexels

Vídeos falsos com o rosto e a voz do cantor Gusttavo Lima e dos padres Marcelo Rossi, Fábio de Melo e Frei Gilson foram usados para arrancar doações de internautas em todo o país.

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) desarticulou nesta quarta-feira (28/10) o esquema, batizado de Operação Cáritas, que teria movimentado cerca de R$ 10 milhões com campanhas de arrecadação fraudulentas. Cinco suspeitos foram presos em cidades de três estados diferentes, e seis pessoas ao todo são alvo de mandados de prisão preventiva.

A 16ª Delegacia de Polícia, em Planaltina, conduz as investigações que miram ainda bens e contas bancárias ligados ao grupo.

Pequenas transferências de R$ 30 e R$ 50 formavam a base do esquema, o que dificultava a percepção das vítimas sobre o prejuízo individual. Multiplicada por um número alto de doadores, essa fórmula teria sido o motor financeiro por trás da fraude.

Close-up de mãos algemadas segurando dinheiro enrolado, sugerindo crime ou prisão.
Foto: Tima Miroshnichenko/Pexels

Como a inteligência artificial entrava no golpe

Deepfakes, vídeos manipulados digitalmente para simular a fala e a aparência de uma pessoa real, davam credibilidade às campanhas falsas. Ao reproduzir rostos conhecidos do público religioso e do meio musical, os golpistas reduziam a desconfiança de quem recebia os conteúdos pelas redes sociais.

Crianças, idosos e pessoas com doenças graves apareciam nas peças publicitárias como supostos beneficiários da arrecadação, recurso que reforçava o apelo emocional das peças. As páginas imitavam campanhas beneficentes de verdade e direcionavam o doador para links de pagamento controlados pela quadrilha.

Prisões em quatro estados diferentes

Além do Distrito Federal, mandados foram cumpridos em Goiás, Minas Gerais e Santa Catarina. Dois suspeitos caíram em Planaltina (DF), e as demais prisões ocorreram em Planaltina de Goiás, Uberlândia e Joinville.

Organização criminosa, lavagem de dinheiro e estelionato eletrônico estão entre os crimes atribuídos ao grupo pela PCDF. Equipes seguem em campo para cumprir as determinações judiciais ainda em aberto, incluindo bloqueios de patrimônio.

Um homem está segurando dinheiro em uma sala de alta tecnologia com notas espalhadas e um computador.
Foto: Tima Miroshnichenko/Pexels

Veículos de luxo e criptomoedas apreendidos

Carros de alto padrão foram recolhidos durante as buscas, e os investigadores também rastrearam ativos em criptomoedas no valor aproximado de US$ 400 mil, cerca de R$ 2,14 milhões na cotação usada pela polícia. O volume de bens levantado reforça a suspeita de que o esquema operava havia tempo e em escala considerável.

Uma única empresa ligada ao grupo concentrou 215.575 transações financeiras no período de 13 de outubro a 26 de novembro de 2025, somando R$ 9.839.087,73. Esse volume chamou a atenção dos investigadores durante o cruzamento de dados bancários.

Divisão de funções dentro do esquema

A apuração da PCDF mapeou funções distintas entre os integrantes: uma parte cuidava da produção dos vídeos falsos. Outra administrava perfis em redes sociais, e um terceiro grupo se dedicava a abrir empresas de fachada para receber e dispersar os valores arrecadados.

Levantamento da própria corporação também cruzou 66 registros de ocorrências no Distrito Federal envolvendo empresas apontadas como destino de recursos ligados a fraudes eletrônicas. Entre elas boletos falsos, compras fantasmas e promessas de investimento sem lastro. O resultado reforça a hipótese de que a estrutura ia além das doações e alimentava outras modalidades de golpe pela internet.