Conheça “Sandro”, o último elefante vivo do zoológico de Sorocaba (SP) que perdeu sua companheira e passou a viver sozinho

A história de Sandro, um elefante asiático que viveu durante mais de quatro décadas no Parque Zoológico Municipal Quinzinho de Barros, em Sorocaba (SP), chegou a um novo capítulo em setembro de 2026. Isso porque, desde 2020, após a morte de sua companheira, ele passou a viver sozinho no local. Agora, depois de uma disputa entre prefeitura e o Minsitério Público, ele está sendo transferido.
Aos 54 anos, o animal deixou o local onde passou grande parte da vida e iniciou uma viagem de mais de 1.600 quilômetros até o Santuário de Elefantes Brasil, na Chapada dos Guimarães (MT). A seguir, conheça a trajetória do elefante que se tornou um dos animais mais conhecidos da cidade.
Sandro chegou a Sorocaba ainda jovem
Antes de se tornar um dos principais animais do zoológico, Sandro passou parte da vida em circos. Ele foi capturado ainda filhote na Ásia e chegou ao Brasil antes de ser transferido para o Quinzinho de Barros, onde entrou em janeiro de 1982.
Na época, o elefante ainda era bastante jovem. Antes de receber o nome pelo qual ficou conhecido, ele era chamado de “Trombadinha”, apelido relacionado ao comportamento brincalhão e à maneira como utilizava a tromba para afastar pessoas que se aproximavam.
Um dos responsáveis por cuidar dele naquele período foi Lucílio Alves de Araújo, que conheceu o animal quando trabalhava em um circo. A relação continuou depois da chegada de Sandro ao zoológico, durante os primeiros anos de adaptação ao novo ambiente.
Com o passar das décadas, o elefante passou a fazer parte da rotina do parque e se tornou conhecido pelos visitantes e pelos próprios funcionários. Os tratadores o descreviam como um animal carinhoso, brincalhão e com grande apetite.
Ele viveu duas décadas ao lado de Haisa
Uma das fases mais marcantes da trajetória de Sandro foi a convivência com Haisa, uma elefanta que também passou a viver no zoológico.
Os dois permaneceram juntos durante aproximadamente 20 anos. A relação era acompanhada pelos tratadores, que identificavam um vínculo entre os animais.
Essa convivência, porém, terminou em 2020, quando Haisa morreu. Depois da perda da companheira, Sandro passou a permanecer sozinho em seu recinto.
A morte da elefanta também teve importância para uma discussão que já vinha sendo levantada sobre as condições oferecidas ao elefante. O Ministério Público de São Paulo passou a defender a transferência de Sandro para um espaço maior e com características mais próximas de um ambiente natural.
Recinto de Sorocaba entrou no centro da disputa
A permanência de Sandro no zoológico acabou dando origem a uma disputa judicial que durou anos. Entre os questionamentos apresentados estava o animal poder sofrer com solidão e saudade após a perca da companheira.
Em 2020, começaram as primeiras medidas para discutir a retirada de Sandro do zoológico. A Prefeitura de Sorocaba chegou inicialmente a aceitar a transferência, mas posteriormente passou a contestar a decisão diante da reação de moradores e de outros setores da cidade.
A disputa continuou nos anos seguintes até que, em junho de 2026, o Tribunal de Justiça de São Paulo manteve a determinação para que Sandro fosse levado ao santuário no Mato Grosso.
Viagem exigiu uma preparação especial
A transferência não poderia ser realizada simplesmente colocando o animal em um caminhão. Sandro precisou passar por uma etapa de adaptação à estrutura que seria utilizada durante o trajeto.
A caixa de transporte chegou ao zoológico em setembro e foi instalada no recinto. Durante os dias seguintes, o elefante teve contato com a estrutura até começar a entrar voluntariamente nela.
Segundo os responsáveis pelo transporte, esse processo ocorreu de maneira gradual. Sandro passou a entrar e sair espontaneamente da caixa, o que permitiu avançar para as etapas seguintes sem necessidade de forçar o animal.
Na manhã de 16 de setembro, a estrutura foi colocada sobre um caminhão-prancha. Sandro entrou voluntariamente e as portas foram fechadas posteriormente, dando início à viagem até Mato Grosso.
Caminhão percorre mais de 1.600 quilômetros
O percurso entre Sorocaba e a Chapada dos Guimarães tem pouco mais de 1.600 quilômetros. A previsão era de aproximadamente dois dias e meio de deslocamento, embora o tempo pudesse sofrer alterações conforme as condições da estrada e as necessidades do animal.
A operação contou com acompanhamento especializado e monitoramento permanente. Quatro câmeras foram instaladas dentro da caixa para acompanhar Sandro durante o percurso.
A estrutura utilizada no transporte pesa cerca de 10 toneladas, tem aproximadamente 3,5 metros de comprimento e 2,5 metros de altura. Também foram adotados recursos de climatização para controlar a temperatura no interior da caixa durante a viagem.
Esses cuidados eram especialmente importantes porque o trajeto atravessa regiões com temperaturas diferentes das encontradas em Sorocaba.
Novo lar tem características diferentes
O destino de Sandro é o Santuário de Elefantes Brasil, localizado na Chapada dos Guimarães. A instituição trabalha com animais que passaram por situações de cativeiro, incluindo exemplares que viveram em circos e zoológicos.
O espaço possui mais de 1.000 hectares, com áreas de mata, pastagens, riachos e outros ambientes naturais. A proposta é oferecer aos elefantes uma área muito maior e com maior variedade de elementos naturais do que um recinto convencional.
No santuário, Sandro terá acesso gradual aos diferentes ambientes. A adaptação continuará depois da chegada, já que a mudança representa uma alteração significativa na rotina mantida pelo animal durante décadas.
O local também não recebe visitação pública e mantém suas atividades por meio de doações e parcerias.
Sandro será o primeiro macho do santuário
Outra mudança importante é que Sandro passará a conviver com outros elefantes. O santuário já abriga seis fêmeas: Bambi, Guillermina, Mara, Maia, Rana e Baby.
Inicialmente, porém, o macho ficará em uma área separada. A intenção é permitir que ele perceba a presença dos outros animais gradualmente, por meio de cheiros, sons e contato visual através das cercas.
Uma aproximação maior poderá ocorrer posteriormente, caso Sandro e as fêmeas demonstrem interesse e adaptação adequada. A integração, portanto, não será imediata.
Essa etapa é especialmente relevante porque o animal passou anos sozinho depois da morte de Haisa. A possibilidade de contato com outros elefantes representa uma nova experiência dentro de uma mudança que envolve praticamente todos os aspectos de sua rotina.
Alimentação de Sandro também exige grandes quantidades
O tamanho do elefante ajuda a explicar a dimensão dos cuidados necessários. Segundo informações reunidas pelo G1, a dieta de Sandro inclui aproximadamente 250 quilos de alimentos por dia, sendo cerca de 150 quilos apenas de capim.
Ao longo dos anos no zoológico, sua alimentação também foi composta por brotos macios e frutas.
A alimentação é apenas uma parte da rotina de manejo de um animal desse porte. O espaço disponível, a possibilidade de movimentação, o acesso à água e as características do ambiente também interferem diretamente nas condições oferecidas ao elefante.
Despedida marcou o fim de uma era em Sorocaba
A saída de Sandro foi acompanhada por funcionários, visitantes e moradores. Antes da transferência, tratadores do zoológico fizeram uma despedida do animal, que recebeu ao longo dos anos apelidos carinhosos como “Gordão”, “Amigão” e “Sandrão”.
Sérgio Domingues, um dos tratadores que acompanhou de perto os últimos anos de Sandro no zoológico, também participou do processo de adaptação à caixa de transporte. Ele relatou que o animal reagiu bem à preparação e não demonstrou resistência durante a entrada na estrutura.
Ao mesmo tempo, a transferência provocou protestos em Sorocaba. Parte dos moradores se posicionou contra a saída do elefante, enquanto a Prefeitura continuou recorrendo da decisão judicial que determinou a mudança.
Uma nova fase depois de 44 anos
Sandro deixou o zoológico depois de 44 anos no local. Sua trajetória em Sorocaba começou quando ainda era jovem e passou por diferentes fases: a adaptação ao novo ambiente, a convivência de duas décadas com Haisa, os anos sozinho e, posteriormente, a longa disputa sobre seu futuro.
A transferência para o Santuário de Elefantes Brasil encerra esse período, mas também inicia outro. O animal terá de se acostumar a um espaço completamente diferente, com uma área muito maior e a presença de outros elefantes.
A mudança, portanto, não representa apenas uma viagem de Sorocaba ao Mato Grosso. Para Sandro, significa deixar para trás o recinto onde passou a maior parte da vida e começar uma etapa marcada por novas condições de espaço, manejo e interação com outros animais.









