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Cientistas revelam qual é a temperatura mais quente que o corpo humano consegue aguentar

Para se manter em funcionamento, o corpo humano depende de uma temperatura interna que varia pouco, ficando sempre entre 36,5°C e 37,2°C. Esse controle é…


Por Bernardo Teixeira

29/09/2026 às 15h31

Cientistas revelam qual é a temperatura mais quente que o corpo humano consegue aguentar
Imagem gerada por inteligência artificial

Para se manter em funcionamento, o corpo humano depende de uma temperatura interna que varia pouco, ficando sempre entre 36,5°C e 37,2°C. Esse controle é feito pelo hipotálamo, área do cérebro responsável por acionar os mecanismos que retêm ou liberam calor, conforme descreve o cardiologista José Luis Navarro Estrada, do Hospital Italiano de Buenos Aires, que já presidiu a Sociedade Argentina de Cardiologia.

Acima de 41°C de temperatura ambiente, esse sistema de controle térmico deixa de funcionar corretamente. O organismo então não consegue mais se resfriar por conta própria, e a temperatura interna dispara, situação que os médicos identificam como insolação.

O momento em que o corpo perde o controle

Existe uma diferença entre febre e hipertermia, de acordo com informações dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos. No caso da febre, o sistema termorregulador continua operando normalmente, apenas ajustando seu ponto de referência por causa de uma infecção ou inflamação.

Já na hipertermia, esse ajuste não ocorre: o mecanismo simplesmente para de responder, e o organismo fica sem defesa contra o aumento da temperatura interna. Sem tratamento, esse quadro pode ser fatal.

Sinais que aparecem antes da insolação

Antes de chegar ao limite de 41°C, o corpo já dá sinais de sobrecarga térmica. Tontura repentina, câimbras, exaustão e fadiga costumam surgir quando o ambiente passa dos 35°C e o sistema de regulação já não consegue compensar.

Bebês, idosos e pessoas com certas condições de saúde enfrentam consequências mais graves nesse cenário. A genética, a etnia e o clima de origem também interferem: quem vive em regiões tropicais ou desérticas costuma suportar temperaturas mais altas do que quem cresce em climas amenos.

Um homem verifica sua temperatura durante uma consulta de telemedicina em casa, usando uma máscara facial por segurança.
Foto: Gustavo Fring/Pexels

O que já se sabe sobre o limite do calor

Pesquisadores da Universidade de Purdue usaram a chamada técnica do bulbo úmido para investigar até onde o corpo humano aguenta o calor combinado com a umidade do ar. O método considera não apenas a temperatura, mas também a capacidade do suor de evaporar e refrigerar a pele.

Um estudo apontou que, com aquecimento global superior a 1,5°C, ondas de calor podem se tornar fortes o bastante para matar até pessoas jovens e saudáveis em certas regiões do planeta. Uma estimativa publicada na revista Nature relacionou 60 mil mortes por calor na Europa entre maio e setembro de 2025.

Quem corre mais risco durante o calor extremo

A Organização Mundial da Saúde alerta que doenças crônicas físicas e mentais tornam a exposição a temperaturas extremas ainda mais perigosa. Isso amplia o grupo de pessoas vulneráveis muito além dos bebês e idosos já mencionados.

Reconhecer os primeiros sintomas de sobrecarga térmica, como tontura e câimbras, ajuda a evitar que o quadro evolua para insolação. Buscar sombra, hidratação e ambientes ventilados assim que esses sinais aparecem pode ser a diferença entre um mal-estar passageiro e uma emergência médica.