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Cientistas estavam observando o espaço quando captaram um sinal misterioso vindo de muito longe e agora tentam descobrir exatamente o que aconteceu

Astrônomos confirmaram que o sinal provinha de um exoplaneta gigante a 64 anos-luz, abrindo uma nova forma de estudar campos magnéticos em mundos distantes.


Por Clyverton Silva

05/10/2026 às 11h05- Atualizada 05/10/2026 às 11h06

Cientistas estavam observando o espaço quando captaram um sinal misterioso vindo de muito longe e agora tentam descobrir exatamente o que aconteceu
Foto ilustrativa: Allyson Santos de Souza/Pexels

Astrônomos captaram, pela primeira vez, emissões de rádio vindas de um exoplaneta gigante além do Sistema Solar. O sinal veio de Beta Pictoris b, um mundo localizado a 64 anos-luz da Terra e detectado por um conjunto de radiotelescópios na África do Sul. A descoberta abre novas possibilidades para explorar o magnetismo de mundos distantes.

O espaço não transmite som, e o sinal não tem relação com mensagens alienígenas. Radiotelescópios recebem ondas de rádio, uma forma de radiação eletromagnética, e as convertem em dados para análise científica. A detecção inaugura uma nova forma de investigar campos magnéticos planetários, estruturas internas e a interação entre exoplanetas e suas estrelas.

O alvo: um mundo gigante e distante

Beta Pictoris b é um gigante gasoso com aproximadamente 12 vezes a massa de Júpiter, completando uma órbita ao redor de sua estrela a cada 24 anos. Captar sinais de rádio vindos dessa distância sempre representou um enorme desafio técnico, já que as próprias estrelas emitem radiação de forma muito mais potente que seus planetas ao redor.

Durante décadas, pareceu praticamente impossível separar o sinal fraco do exoplaneta do brilho intenso da estrela hospedeira. O conjunto de radiotelescópios MeerKAT, localizado na África do Sul, tem sensibilidade suficiente para superar essa barreira.

As medições confirmaram que a emissão provinha exatamente de onde o planeta orbita, não da estrela — uma confirmação crítica de que se tratava efetivamente de uma detecção legítima.

Como um planeta consegue emitir ondas de rádio

O campo magnético do próprio exoplaneta gera essas emissões. Partículas carregadas eletricamente aceleram sob a influência desse campo e liberam energia em forma de ondas de rádio — o mesmo mecanismo que cria as auroras aqui na Terra. Dentro do nosso próprio Sistema Solar, Júpiter já é conhecido como fonte potente e natural de radiação nessa frequência.

Os dados coletados mostram que o campo magnético de Beta Pictoris b atinge pelo menos 1.250 gauss na região que gera os sinais.

Além disso, as rajadas de rádio se repetiram em intervalos de aproximadamente oito horas, período muito próximo do tempo que o planeta leva para completar uma rotação sobre seu eixo. Esse padrão oferece uma nova forma de estimar a velocidade de rotação de mundos cuja superfície não pode ser observada diretamente.