Ouça agora

Cientistas encontraram uma fonte de energia escondida sob o oceano Atlântico

Cientistas encontram água superaquecida sob o Atlântico e revelam fonte de energia química em ambiente sem luz solar


Por Yasmin Henrique

19/07/2026 às 15h02

Cientistas encontraram uma fonte de energia escondida sob o oceano Atlântico
(Foto: reprodução/Karwin Luo/Unsplash)

Uma descoberta feita sob o Oceano Atlântico está oferecendo novas pistas sobre o funcionamento de ecossistemas que sobrevivem sem luz solar. Cientistas identificaram um reservatório de água superaquecida circulando por rochas profundas abaixo do campo hidrotermal Lost City, revelando um mecanismo natural que gera energia química e pode ajudar nas pesquisas sobre ambientes potencialmente habitáveis além da Terra.

A descoberta foi feita durante a Expedição IODP 399, realizada em 2023. Na missão, os pesquisadores perfuraram o Atlantis Massif até 1.268 metros abaixo do fundo oceânico e analisaram amostras que indicaram a ocorrência de reações químicas em temperaturas superiores a 300 °C no interior das rochas.

Cidade com energia escondida

O que as análises revelaram:

  • Circulação profunda: nas amostras mais profundas, até 80% da água era proveniente da circulação natural entre as rochas subterrâneas.
  • Assinatura química: os pesquisadores identificaram perda quase total de magnésio e enriquecimento em cálcio, lítio, rubídio, césio e estrôncio, primeira evidência direta da circulação de fluidos de alta temperatura na região.

O que é o Lost City:

  • Localização: descoberto em 2000, o campo hidrotermal fica no Maciço Atlantis, cerca de 15 quilômetros a oeste da Dorsal Mesoatlântica, entre 750 e 850 metros de profundidade.
  • Características: o sistema é formado por grandes chaminés de carbonato e, diferentemente dos chamados “fumantes negros”, não depende diretamente da atividade vulcânica.

Como funciona o sistema:

  • Serpentinização: a água do mar infiltra-se na crosta terrestre e reage com rochas do manto.
  • Fonte de energia: essa reação libera calor, hidrogênio e metano, fornecendo energia química para microrganismos sobreviverem por quimiossíntese, sem depender da luz solar.

Implicações

A descoberta amplia o conhecimento sobre como organismos podem sobreviver em ambientes extremos e contribui para estudos sobre as condições que podem ter participado do surgimento da vida na Terra. 

O funcionamento do Lost City também serve como referência para pesquisas sobre oceanos subterrâneos em luas geladas, como Europa, de Júpiter, e Encélado, de Saturno, onde processos semelhantes podem existir.

Como próxima etapa, os cientistas planejam novas expedições para coletar amostras mais puras, com menor interferência dos materiais usados na perfuração, e analisar com mais detalhes a circulação dos fluidos no interior das rochas.