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Cientistas encontram uma nova espécie de gato selvagem e descoberta é a primeira desse tipo em mais de 100 anos


Por Matheus Chaves

21/09/2026 às 07h12

Cientistas encontram uma nova espécie de gato selvagem e descoberta é a primeira desse tipo em mais de 100 anos
Imagem: Magnific

Uma pequena espécie de felino das florestas montanhosas da Bolívia acaba de ganhar uma identidade própria dentro da classificação científica. O animal recebeu o nome de Leopardus tilcayo e foi reconhecido como uma nova espécie após uma investigação genética que revelou uma história evolutiva diferente daquela atribuída anteriormente a animais de aparência semelhante. A descoberta representa a primeira descrição de uma nova espécie viva de felino em mais de 100 anos.

Descoberta começou com um animal considerado incomum

Segundo o portal Xataka, a história do Leopardus tilcayo começou anos antes da confirmação científica. Em 2016, um morador da Bolívia encontrou um filhote próximo a uma área de floresta e levou o animal para casa, acreditando que se tratava de um gato doméstico.

Com o tempo, porém, o comportamento do animal indicou que aquela identificação provavelmente estava errada. Ele acabou sendo encaminhado ao Senda Verde, um centro de proteção à fauna localizado na região das Yungas, onde passou a ser observado por pesquisadores.

O caso chamou a atenção da bióloga boliviana Paola Nogales-Ascarrunz. A aparência do felino não era suficiente para estabelecer sua classificação, principalmente porque outros pequenos gatos sul-americanos possuem características físicas semelhantes. Foi necessário, então, recorrer a uma análise mais detalhada.

Material genético revelou uma história evolutiva própria

Os pesquisadores analisaram o DNA de 38 exemplares do gênero Leopardus. O conjunto incluiu animais vivos e espécimes preservados em coleções científicas, permitindo comparar indivíduos de diferentes regiões da América do Sul.

Os resultados mostraram que o felino encontrado nas Yungas bolivianas não era apenas uma população com pequenas diferenças em relação a outras espécies. Seu material genético indicou uma trajetória evolutiva independente.

Segundo a análise, a linhagem que deu origem ao Leopardus tilcayo se separou das demais relacionadas a esses pequenos felinos há aproximadamente 1,4 milhão de anos. É essa distância evolutiva que ajudou os cientistas a estabelecer a espécie como uma unidade própria.

A pesquisa foi publicada na revista Current Biology e envolveu uma equipe internacional, incluindo o pesquisador brasileiro Eduardo Eizirik, da PUC-RS.

O que muda na classificação dos gatos-tigre?

A descoberta não acrescentou apenas um novo nome à lista de felinos. O estudo também mostrou que a diversidade genética existente entre os pequenos gatos-tigre sul-americanos era maior do que se reconhecia anteriormente.

A análise identificou cinco espécies geneticamente distintas dentro desse conjunto. O Leopardus tilcayo é uma delas, mas o resultado não significa que ele seja simplesmente uma variação recente de uma espécie conhecida. Sua linhagem já seguia um caminho evolutivo separado havia milhões de anos.

Essa diferença é importante porque animais muito parecidos externamente podem apresentar histórias evolutivas bastante distintas. A genética permite identificar essas separações mesmo quando as características visíveis não são suficientes para diferenciá-los com segurança.

O estudo também identificou uma nova subespécie nas Yungas peruanas, chamada Leopardus tigrinus antisuyo, ampliando ainda mais o conhecimento sobre a diversidade desses felinos.

Felino é pequeno e vive em uma região montanhosa

O Leopardus tilcayo possui dimensões reduzidas. Os exemplares conhecidos medem aproximadamente 45 centímetros de comprimento corporal, além da cauda, e pesam cerca de 1,3 kg. A pelagem apresenta tonalidade marrom-clara e manchas escuras, características que ajudam o animal a se camuflar na vegetação.

O habitat atualmente confirmado fica nas Yungas bolivianas, uma região de florestas úmidas localizada nas encostas orientais dos Andes.

Ainda há diversas perguntas sem resposta e é necessário descobrir qual é a extensão real da distribuição do animal, qual o tamanho de sua população e quais são suas principais necessidades ecológicas.