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Cientista alerta que uma nova extinção em massa já pode estar acontecendo e seria a mais rápida da história, com mudanças no clima acelerando o desaparecimento de espécies

Sem ação climática urgente, a economia mundial pode perder 38 trilhões de dólares anuais a partir de 2049.


Por Bernardo Teixeira

04/10/2026 às 11h02

Cientista alerta que uma nova extinção em massa já pode estar acontecendo e seria a mais rápida da história, com mudanças no clima acelerando o desaparecimento de espécies
Foto: ArtHouse Studio/Pexels

O planeta pode estar diante de um processo de extinção em massa parecido com o que varreu 90% das espécies do planeta no Período Permiano, só que em um intervalo de tempo muito menor. A avaliação é de Hugh Montgomery, que pesquisa no Centro de Saúde e Desempenho Humano, ligado à University College London.

Ele integrou a equipe que assinou o relatório de 2024 da revista científica The Lancet dedicado à relação entre crise climática e saúde. Conforme informou, é a própria humanidade quem está provocando esse processo.

Um aumento de 3 °C em relação aos níveis pré-industriais tornaria o cenário ainda mais grave, e os números mais recentes mostram que o planeta caminha nessa direção. A temperatura média global atingiu 1,43 °C acima dos níveis pré-industriais em 2025, segundo a Organização Meteorológica Mundial, após aumento de 1,5 °C registrado em 2024.

Ativista apaixonado segurando placa para salvar o planeta em um lixão, promovendo a conscientização ambiental.
Foto: Gustavo Fring/Pexels

Trajetória acelerada rumo ao colapso

Até 2.100, um aquecimento de 2,8 °C pode ser alcançado caso as políticas climáticas atuais persistam, conforme relatório de 2025 do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. A concentração de dióxido de carbono na atmosfera não apenas cresce, mas aumenta em ritmo cada vez mais acelerado, acelerando o colapso ecológico ainda mais do que se previa.

Os impactos catastróficos podem surgir com rapidez maior que o esperado. Se o aquecimento atingir entre 1,7 °C e 2,3 °C, mesmo que temporariamente, o gelo do Ártico pode derreter em velocidade extrema, interrompendo as correntes oceânicas que controlam o clima global.

Esse derretimento elevaria o nível do mar em vários metros apenas nos próximos 20 ou 30 anos, devastando regiões costeiras em todo o planeta.

Um globo envolto em plástico destacando questões ambientais globais.
Foto: MART PRODUCTION/Pexels

Emissões além do carbono agravam a situação

O metano intensifica o problema: é 83 vezes mais prejudicial que o dióxido de carbono e se libera principalmente na extração de gás natural.

Reduzir emissões é questão ambiental e econômica: a economia mundial pode perder 38 trilhões de dólares anuais a partir de 2049 sem ação climática urgente.

Para Montgomery, é preciso buscar alternativas de adaptação, já que os efeitos sobre a saúde da população já podem ser percebidos atualmente. Alertou, porém, que reduzir drasticamente as emissões de poluentes é essencial: não faz sentido focar apenas no alívio dos sintomas quando o objetivo deve ser buscar a cura.