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Chuva de meteoros já começou e pode produzir bolas de fogo no céu até novembro; duas noites terão maior atividade


Por Matheus Chaves

27/09/2026 às 19h35

Chuva de meteoros já começou e pode produzir bolas de fogo no céu até novembro; duas noites terão maior atividade
Imagem: Vecstock/Magnific

A chuva de meteoros das Táuridas do Sul já está ativa e continuará aparecendo no céu durante os próximos meses. O fenômeno começou em 20 de setembro e permanecerá em atividade até 20 de novembro de 2026. Embora produza poucos meteoros por hora, a chuva é conhecida pela possibilidade de gerar bólidos extremamente brilhantes.

Duas noites terão destaque em 2026

O calendário astronômico aponta dois períodos especialmente interessantes para observar as Táuridas do Sul. O primeiro ocorre na noite de 13 para 14 de outubro, enquanto o segundo está previsto para 4 e 5 de novembro.

Esses dois momentos estão relacionados às diferentes concentrações de atividade que fazem parte da chuva. A American Meteor Society indica que o componente anual atinge seu máximo por volta de 14 de outubro, enquanto uma concentração associada aos bólidos apresenta seu pico em 5 de novembro.

A segunda data costuma receber atenção especial justamente pela possibilidade de observar meteoros excepcionalmente luminosos. Em 2026, a Lua estará em fase minguante durante o pico de novembro, reduzindo a interferência do luar sobre a observação.

Por que essa chuva é conhecida pelas bolas de fogo?

As Táuridas do Sul não estão entre as chuvas de meteoros que apresentam as maiores taxas de ocorrência. A estimativa de referência é de aproximadamente cinco meteoros por hora em condições ideais.

O diferencial está no brilho de alguns desses objetos. A corrente é conhecida por produzir meteoros mais lentos e luminosos, incluindo bólidos que podem chamar bastante atenção quando atravessam a atmosfera.

Isso acontece porque os fragmentos associados às Táuridas apresentam características diferentes das partículas muito pequenas responsáveis por muitos outros meteoros. Quando um fragmento maior entra na atmosfera terrestre, a quantidade de energia liberada pode resultar em um clarão muito mais intenso.

De onde vêm as Táuridas do Sul?

A origem da chuva está relacionada ao cometa 2P/Encke. Ao percorrer sua órbita, o cometa deixa partículas e fragmentos ao longo do caminho.

Quando a Terra atravessa essa região do espaço, parte desse material entra na atmosfera. O atrito e a compressão do ar aquecem as partículas, produzindo os rastros luminosos que observamos como meteoros.

A velocidade relativamente baixa dos meteoros das Táuridas também contribui para uma característica particular do fenômeno. Eles podem parecer atravessar o céu de maneira mais lenta do que integrantes de algumas outras chuvas anuais.

Não é preciso telescópio para observar

Quem quiser acompanhar o fenômeno não precisa de equipamentos astronômicos sofisticados. Na verdade, telescópios e binóculos não são os instrumentos mais adequados para uma chuva de meteoros, porque restringem o campo de visão.

O ideal é procurar um local escuro, distante das luzes artificiais das cidades, e observar uma região ampla do céu. Também é necessário ter paciência, já que a taxa de meteoros das Táuridas do Sul é relativamente baixa.

Os meteoros não aparecem exclusivamente próximos à constelação de Touro, apesar de parecerem erradiar dela. O radiante, ponto do céu de onde eles parecem surgir, está nessa região, mas os riscos luminosos podem atravessar diferentes partes da abóbada celeste.

Fenômeno poderá ser observado nos dois hemisférios

As Táuridas do Sul podem ser acompanhadas tanto no Hemisfério Norte quanto no Hemisfério Sul. Para os observadores, a localização do radiante e as condições do céu no momento da observação influenciam a quantidade de meteoros que poderá ser percebida.

No Brasil, a chuva também pode ser observada. Como acontece com outros fenômenos desse tipo, entretanto, a quantidade efetivamente vista depende de fatores como poluição luminosa, presença de nuvens, posição do radiante e luminosidade da Lua.

Por isso, a estimativa de cinco a dez meteoros por hora não deve ser interpretada como uma quantidade garantida para qualquer pessoa. Trata-se de uma taxa calculada para condições ideais de observação.