China quer entrar na parceria com o sistema brasileiro do PIX

China estuda integração com o Pix para ampliar pagamentos internacionais e fortalecer comércio com o Brasil.


Por Leticia Florenco

23/06/2026 às 21h04

China quer entrar na parceria com o sistema brasileiro do PIX

A possibilidade de uma integração entre o Pix e sistemas de pagamento da China ganhou força após novas discussões entre autoridades financeiras dos dois países.

O tema surge em um momento de crescente interesse internacional pelo modelo brasileiro de transferências instantâneas e ocorre paralelamente às críticas feitas pelos Estados Unidos ao sistema criado pelo Banco Central do Brasil.

A sinalização foi divulgada pelo Banco Central chinês após reuniões realizadas no âmbito do Grupo de Trabalho de Cooperação Financeira Estratégica China-Brasil.

O encontro reuniu representantes das duas nações para discutir alternativas que facilitem investimentos, financiamentos e operações comerciais entre os países.

China aposta em pagamentos mais rápidos e eficientes

Segundo o comunicado divulgado pelas autoridades chinesas, um dos principais pontos discutidos foi a possibilidade de ampliar a cooperação entre sistemas de pagamento dos dois países.

O objetivo é tornar as transações internacionais mais rápidas, eficientes e menos custosas para empresas que realizam negócios entre Brasil e China, atualmente dois importantes parceiros comerciais.

Além da integração tecnológica, as conversas também abordaram formas de fortalecer o uso de moedas locais nas operações bilaterais, reduzindo a necessidade de utilizar o dólar como intermediário nas transações.

Pix desperta interesse internacional

Desde sua criação em 2020, o Pix transformou a forma como brasileiros realizam pagamentos e transferências financeiras.

O sistema se tornou referência mundial pela velocidade das operações, funcionamento ininterrupto e ampla adesão da população.

O sucesso da plataforma passou a despertar interesse de diversos países que buscam modernizar seus próprios sistemas financeiros e desenvolver soluções semelhantes para pagamentos instantâneos.

A China, que já possui um dos mercados digitais mais avançados do mundo, vê potencial em aprofundar a cooperação tecnológica com o Brasil na área financeira.

Sistema de Pagamentos em Moeda Local ganha destaque

Outro tema debatido foi o fortalecimento do Sistema de Pagamentos em Moeda Local (SML), mecanismo que permite a realização de operações comerciais sem a necessidade de conversão para o dólar.

Atualmente, o sistema já funciona entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, oferecendo uma alternativa para empresas que desejam reduzir custos cambiais e simplificar processos financeiros.

A ampliação desse modelo para operações envolvendo a China é vista como uma possibilidade capaz de facilitar ainda mais o comércio entre as duas economias.

Críticas dos Estados Unidos entram no debate

As discussões entre Brasil e China acontecem em meio à investigação comercial conduzida pelos Estados Unidos envolvendo o Pix.

Autoridades americanas questionam o fato de o Banco Central atuar simultaneamente como regulador do sistema financeiro e administrador da plataforma de pagamentos instantâneos.

Na avaliação de setores norte-americanos, essa estrutura poderia gerar vantagens competitivas em relação a empresas privadas que atuam no mercado de meios de pagamento.

O tema passou a integrar uma investigação comercial que também envolve medidas tarifárias direcionadas a produtos brasileiros.

Governo brasileiro vê questão além da concorrência

Nos bastidores do governo brasileiro, a avaliação é de que as preocupações manifestadas pelos Estados Unidos vão além da disputa entre empresas de tecnologia financeira.

Especialistas apontam que o avanço de mecanismos de pagamento em moedas locais e sistemas alternativos pode reduzir a dependência global do dólar em determinadas operações internacionais.

Esse movimento vem sendo acompanhado por diversas economias emergentes que buscam ampliar sua autonomia financeira e diminuir custos associados às transações internacionais.

Integração ainda não tem prazo definido

Apesar do interesse demonstrado pela China, as negociações ainda estão em fase preliminar. Não existe, até o momento, um modelo definido para uma eventual integração entre os sistemas de pagamento dos dois países.

Questões relacionadas à segurança digital, regulamentação, conversão cambial, governança e compatibilidade tecnológica ainda precisarão ser discutidas antes que qualquer projeto avance para uma etapa prática.

Mesmo assim, o diálogo entre Brasil e China demonstra o crescente protagonismo do Pix no cenário financeiro internacional e reforça o papel da inovação tecnológica na transformação dos sistemas de pagamento ao redor do mundo.

Se as negociações avançarem, empresas e investidores poderão se beneficiar de operações mais rápidas, menos burocráticas e potencialmente mais baratas, fortalecendo ainda mais a relação comercial entre as duas maiores economias do hemisfério sul.