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Câncer agressivo que resistia à quimioterapia desaparece de criança de 3 anos após duas aplicações

Não houve toxicidades limitantes de dose nem síndrome de liberação de citocinas, e a regressão completa persiste um ano depois do tratamento.


Por Clyverton Silva

11/09/2026 às 20h36

Câncer agressivo que resistia à quimioterapia desaparece de criança de 3 anos após duas aplicações
Foto ilustrativa: Leiliane Dutra/Pexels

Uma criança de 3 anos com hepatoblastoma, o câncer de fígado pediátrico mais comum, teve regressão completa da doença após receber uma imunoterapia experimental baseada em células T modificadas. O caso foi descrito no New England Journal of Medicine por pesquisadores da Baylor College of Medicine, do Texas Children’s Hospital e do Seattle Children’s, e integra o estudo CARE, um ensaio de fase 1, primeiro em humanos, que avalia células T com receptor de antígeno quimérico específico para glipican-3 armadas com interleucina-15 e -21.

A paciente chegou ao estudo com um grande tumor hepático primário e metástases pulmonares. Antes disso, passou por três linhas de quimioterapia e por ressecção completa do tumor no fígado e de duas metástases nos pulmões.

Como o câncer deixou de responder à quimioterapia, uma nova metástase pulmonar surgiu após a cirurgia, momento em que ela foi incluída no protocolo experimental conduzido em ambiente ambulatorial.

Terapia

A terapia foi produzida a partir das próprias células da paciente nos laboratórios do Centro de Terapia Celular e Genética, com dois vetores: um para o GPC3-CAR de segunda geração e outro para IL15, IL21 e o interruptor de segurança caspase 9 indutível, usado para controlar a expansão das células modificadas.

Foram duas infusões com oito semanas de intervalo. A primeira produziu resposta parcial, e a segunda levou à resolução completa da doença metastática.

Não houve toxicidades limitantes de dose nem síndrome de liberação de citocinas, e a regressão completa persiste um ano depois do tratamento. David Steffin, primeiro autor e chefe associado de terapia celular e transplante de medula óssea no Texas Children’s, afirmou que o caso mostra que uma resposta completa durável em tumor sólido resistente à quimioterapia pode ser obtida sem toxicidade sistêmica.