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Caça ao tesouro organizada nos arredores de um palácio terminou com uma armadura de cavalaria retirada da lama; o que era uma ação promocional acabou virando uma investigação arqueológica de verdade


Por Matheus Chaves

23/09/2026 às 21h24

Caça ao tesouro organizada nos arredores de um palácio terminou com uma armadura de cavalaria retirada da lama; o que era uma ação promocional acabou virando uma investigação arqueológica de verdade
Imagem: Magnific

O que deveria ser uma experiência prática para atores de um novo filme polonês acabou produzindo uma descoberta histórica inesperada. Durante uma busca realizada no fosso do Palácio de Pielaszkowice, na Baixa Silésia, na qual artistas e pesquisadores se juntaram para realizar uma caça ao tesouro, como parte da nova adaptação do clássico romance polonês “Satanás da Sétima Série”, eles encontraram um fragmento de armadura de cavalaria do século XIX que pode ter pertencido a um soldado francês ou prussiano.

De acordo com informações do Heritage Daily, a ideia da caça ao tesouro era aproximar os atores do tipo de aventura retratada na história, que envolve uma caça a um tesouro relacionado às guerras napoleônicas.

Para isso, a equipe contou com exploradores especializados, profissionais de geofísica e integrantes da Associação de Exploradores Históricos DRACO. O grupo pretendia proporcionar uma espécie de treinamento prático aos atores, mas a investigação no terreno revelou que o local ainda guardava vestígios concretos de seu passado.

O palácio escolhido para a busca tinha uma ligação real com Napoleão

A escolha de Pielaszkowice não ocorreu apenas por sua aparência ou por uma associação fictícia com tesouros escondidos. O palácio, situado próximo a Kostomłoty e a cerca de 40 quilômetros de Wrocław, esteve envolvido em acontecimentos ligados às Guerras Napoleônicas.

Em 4 de junho de 1813, foi acordado no local um armistício entre as forças de Napoleão e os exércitos aliados da Rússia e da Prússia. Esse episódio ajudou a estabelecer uma conexão histórica com o enredo do filme, no qual um tesouro estaria relacionado a um soldado do exército napoleônico.

A expedição cinematográfica, portanto, foi montada em um cenário que já apresentava uma relação documentada com o período retratado na produção. A diferença é que ninguém esperava que a atividade de preparação do elenco produzisse uma peça histórica diretamente associada ao século XIX.

O que estava escondido no fundo do fosso

O achado mais importante foi um pedaço de couraça usado por cuirassiers, integrantes da cavalaria pesada que utilizavam proteção metálica no corpo. A peça recuperada é considerada compatível com esse tipo de equipamento e pode ter pertencido a um militar francês ou prussiano.

A descoberta foi feita por Wiesław Andrysiak, integrante da Associação de Exploradores Históricos DRACO, depois que a equipe decidiu avançar com a investigação do fosso. A presença do objeto em meio à lama é particularmente relevante porque permite relacioná-lo à longa história de ocupação e conflitos que atingiram a propriedade.

A armadura, porém, não foi o único material encontrado. A busca também revelou fragmentos de esculturas ornamentais que faziam parte do parque do palácio e componentes metálicos da própria construção, incluindo fechaduras originais.

Esses objetos ajudam a mudar a interpretação da atividade. Em vez de apenas reproduzir uma caça ao tesouro para fins cinematográficos, os participantes passaram a lidar com evidências materiais capazes de fornecer informações sobre diferentes períodos da história da propriedade.

A lama pode ter preservado objetos perdidos durante a Segunda Guerra Mundial

Uma possível explicação para a concentração de materiais no fosso está em outro período de conflito: os últimos meses da Segunda Guerra Mundial.

Em 1945, o Palácio de Pielaszkowice foi saqueado pelo Exército Vermelho. Relatos sobre o episódio indicam que objetos e partes do mobiliário foram retirados do edifício e lançados pelas janelas, acabando dentro do fosso. Com o passar do tempo, esse material ficou coberto por aproximadamente um metro de lama e água.

Alguns moradores chegaram a recuperar peças valiosas de porcelana Meissen pouco depois da guerra. O fosso, entretanto, aparentemente não havia passado por uma investigação abrangente posteriormente. Isso significa que materiais enterrados há mais de oito décadas ainda poderiam permanecer no local.

Essa possibilidade também explica por que os achados recentes não precisam necessariamente ter a mesma origem. A armadura pode estar relacionada ao contexto militar do século XIX, enquanto fechaduras, esculturas e outros objetos podem estar associados à própria história do palácio e aos acontecimentos de 1945.